A presidente do México, Claudia Sheinbaum, denunciou o risco de interferência de setores de extrema-direita dos EUA na eleição mexicana de 2030 para forçar uma mudança de poder, embora tenha poupado Donald Trump de envolvimento direto. A declaração reflete alertas da esquerda latino-americana sobre a ingerência de Washington na região. Sheinbaum rejeitou liderar os progressistas no continente, manteve foco em seu governo e afirmou que a única defesa contra ações externas é a mobilização popular.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, denunciou nesta segunda-feira (5) uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições presidenciais de 2030, acusando "setores de extrema-direita" dentro da Casa Branca de buscarem uma mudança de governo no país.
Em coletiva de imprensa, a mandatária, contudo, esclareceu que não atribui essa posição diretamente ao seu homólogo americano, Donald Trump.
"A direita internacional quer intervir; temos denunciado isso consistentemente", disse Sheinbaum.
A declaração da presidente ocorreu após acusações da esquerda latino-americana sobre uma suposta interferência de Washington nas eleições brasileiras e em meio à ascensão de forças conservadoras na região.
Em setembro, Sheinbaum já havia denunciado um "espírito intervencionista" ligado aos processos eleitorais no México e no Brasil, pedindo que quaisquer tentativas de ingerência estrangeira fossem tornadas públicas. No entanto, a presidente descartou assumir um papel de coordenação das forças progressistas regionais.
"Meu interesse não é organizar a esquerda latino-americana", afirmou, enfatizando que seu objetivo é "continuar governando o México".
Sheinbaum também criticou a direita mexicana, acusando-a de defender interesses econômicos, racismo e autoritarismo, e descreveu seu próprio movimento como "humanista". Diante de uma possível interferência externa, ela concluiu que "a única defesa é o povo". .