Rússia perde aliado na Venezuela, mas espera se beneficiar com política de "faroeste" de Trump

5 jan 2026 - 11h37

A captura do líder da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos privou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, de um aliado e pode aumentar a "influência do petróleo" dos EUA, mas Moscou está de olho em possíveis benefícios com a divisão do mundo em esferas de influência pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

As forças ‌especiais dos EUA prenderam Maduro apenas oito meses depois que o presidente russo firmou uma parceria estratégica com seu "querido amigo", e Trump disse que os EUA ‌estão assumindo o controle temporário da Venezuela, que tem as maiores reservas de petróleo do mundo.

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Alguns nacionalistas russos criticaram a perda de um aliado e contrastaram a rápida operação dos EUA com o fracasso da Rússia em assumir o controle da Ucrânia em quase quatro anos de guerra.

Mas, em outro nível, o que a Rússia considera como "pirataria" e "mudança de regime" de Trump no "quintal" dos Estados Unidos é mais tolerável para Moscou, especialmente se Washington ficar atolado na ‍Venezuela.

"A Rússia perdeu um aliado na América Latina", disse uma fonte russa graduada, falando sob condição de anonimato devido à sensibilidade da situação.

"Mas se esse for um exemplo da Doutrina Monroe de Trump em ação, como parece ser, então a Rússia também tem sua própria esfera de influência."

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A fonte estava se referindo ao desejo do governo Trump de reafirmar o domínio dos EUA no Hemisfério Ocidental e reviver a ‌Doutrina Monroe do Século 19, que declarou a área como zona de influência de Washington.

Uma segunda fonte russa ‌disse que Moscou viu a operação dos EUA como uma tentativa clara de obter o controle da riqueza petrolífera da Venezuela e observou que a maioria das potências ocidentais não a criticou abertamente.

PERIGOS DO "FAROESTE" DE TRUMP

Putin tem tentado estabelecer uma esfera de influência russa nas ex-Repúblicas soviéticas da Ásia Central, no Cáucaso e na Ucrânia, em uma investida contra a qual Washington se opõe desde o fim da Guerra Fria.

Putin não comentou publicamente sobre a operação dos Estados Unidos na Venezuela, embora o Ministério das Relações Exteriores da Rússia tenha pedido a Trump que liberte Maduro e tenha apelado para o diálogo. O ministério anteriormente classificou as ações de Trump como pirataria moderna no Caribe.

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A mídia estatal russa descreveu a operação como um "sequestro" dos EUA, relatou comentários de Trump sobre os EUA terem vizinhos "doentes" e fez referência à captura do líder militar Manuel Noriega pelos EUA no Panamá em 3 de janeiro de 1990.

"O fato de Trump ter simplesmente 'roubado' o presidente de outro país mostra que basicamente não existe lei internacional -- existe apenas a lei da força --, mas a Rússia sabe disso há muito tempo", disse Sergei Markov, ex-conselheiro do Kremlin, à Reuters.

Ele disse que a Doutrina Monroe moderna -- que Trump sugeriu que poderia ser atualizada como a "Doutrina Donroe" - poderia ser interpretada de diferentes maneiras.

"Os Estados Unidos estão realmente prontos para reconhecer o domínio da Rússia sobre a antiga União Soviética, ou simplesmente os Estados Unidos são tão fortes que não tolerarão nenhuma grande potência nem mesmo perto deles?"

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Alexei Pushkov, que preside a comissão de política de informação no Conselho da Federação, ou Senado, da Rússia, viu a operação dos EUA ‌na Venezuela como uma implementação direta da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, descrevendo-a como uma tentativa de reviver a supremacia dos EUA e ganhar controle sobre mais reservas de petróleo.

No entanto, ele disse que isso arrisca um retorno ao "imperialismo selvagem do Século 19 e, de facto, reviver o conceito do faroeste - no sentido de que os Estados Unidos recuperaram o direito de fazer o que quiserem no Hemisfério Ocidental".

"Será que o triunfo se transformará em um desastre?", perguntou ele.

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