O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou ao jornal Izvestia que as conversas haviam sido suspensas. "Esta é uma pausa temporária, por razões óbvias", disse ele a repórteres. Peskov acrescentou que, quando "os parceiros americanos" puderem dedicar mais atenção ao tema, Moscou espera retomar o processo e iniciar uma nova rodada de negociações.
A Ucrânia e a Rússia realizaram conversas na Turquia no ano passado e, mais recentemente, conduziram sessões sob mediação dos Estados Unidos em Abu Dhabi e Genebra.
No início dessa semana, a Rússia lançou um raro ataque à luz do dia contra Kiev, utilizando drones. Segundo as autoridades ucranianas, esses equipamentos pareciam ter sido modernizados. Múltiplas explosões sacudiram a capital ucraniana e destroços de drones caíram na praça principal da cidade.
"Decepção"
O presidente dos EUA, Donald Trump, que havia prometido encerrar a guerra na Ucrânia ao retornar à Casa Branca, afirmou que o impasse diplomático é uma das suas maiores decepções até agora.
Segundo a inteligência americana, a Rússia mantém vantagem no campo de batalha. A diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, disse ao Comitê de Inteligência do Senado que Moscou segue em posição superior "em sua guerra contra a Ucrânia".
"As negociações lideradas pelos Estados Unidos entre Moscou e Kiev continuam. Até que um acordo seja alcançado, Moscou deve travar uma guerra de desgaste para enfraquecer a capacidade e a vontade de resistência de Kiev", afirmou Gabbard.
O presidente russo, Vladimir Putin, reiterou estar aberto a negociações de paz. Ele descreve o conflito como um ponto de virada nas relações com o Ocidente, que, segundo afirma, humilhou a Rússia após a dissolução da União Soviética, em 1991, ao expandir a Otan.
Em 2024, Putin declarou que as condições russas para encerrar a guerra incluem que Kiev renuncie oficialmente ao objetivo de ingressar na Otan e retire suas forças das quatro regiões reivindicadas por Moscou. Kiev, por sua vez, questiona o compromisso russo com um acordo e afirma que não abrirá mão de territórios que Moscou não conseguiu conquistar.
Com AFP