María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, conquistou o Prêmio Nobel da Paz de 2025 em reconhecimento à sua luta pela democracia, enquanto o Comitê Nobel rejeitou a candidatura de Donald Trump, que realizou campanha pela honraria.
O ex-senador e atual secretário de Estado do governo Donald Trump, Marco Rubio, indicou a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2025. María Corina Machado, no mesmo ano em que o presidente americano fez campanha para receber a honraria.
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Rubio é o chefe da diplomacia americana e foi designado por Trump para negociar o tarifaço com o Brasil.
No ano passado, antes de integrar o governo Trump, ele integrava um grupo de parlamentares dos Estados Unidos que formalizou a indicação de María Corina em uma carta enviada ao Comitê Norueguês do Nobel.
"Em nosso trabalho como formuladores de políticas que lutam pela democracia e pelos direitos humanos diante de regimes ditatoriais no Hemisfério Ocidental e além, raramente testemunhamos tamanha coragem, altruísmo e firme apego à moralidade como em María Corina Machado", começa o grupo que, além de Rubio, conta com o senador Rick Scott; e os deputados Mario Díaz-Balart, María Elvira Salazar, Michael Waltz, Neal Dunn, Byron Donalds e Carlos A. Gimenez.
O documento ressalta que María Corina "arriscou tudo para animar o espírito, antes abatido, do povo venezuelano" e afirma que os anos do governo de Hugo Chávez e Nicolás Maduro foram "de opressão, tortura, assassinato e privação econômica".
Segundo a carta, María Corina sofreu ameaças pessoais e atentados contra sua vida, e, ainda assim, "permaneceu firme em seu compromisso de restaurar a governança democrática na Venezuela".
"Sua liderança é fundamental na mobilização de apoio nacional e internacional para uma resolução pacífica da atual crise de fraude eleitoral. Seus esforços incansáveis para defender eleições livres e justas e chamar a atenção para os abusos de direitos humanos que ocorrem sob o regime atual incorporam os próprios princípios que o Prêmio Nobel da Paz busca honrar", continua o grupo.
O Comitê do Nobel da Paz, sediado em Oslo, na Noruega, explicou nesta sexta-feira, 10, por que o prêmio deste ano não foi concedido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que fez campanha explícita para ganhar a honraria desde que voltou ao poder.
A pressão do americano e de seus aliados aumentou nos últimos dias, após o anúncio de um acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza, mediado pelo magnata republicano, que se vangloria por ter encerrado "oito guerras" desde que retornou à Casa Branca. Ainda assim, o Nobel da Paz foi entregue a María Corina Machado, líder da oposição na Venezuela.
"Na longa história do prêmio Nobel, esse comitê já viu todo tipo de campanha, de atenção da imprensa. Recebemos milhares de cartas a cada ano de pessoas que dizem aquilo que, para elas, conduz à paz", declarou o presidente da comissão, Jorgen Watne Frydnes, ao ser questionado sobre o "não" a Trump em 2025.
"Esse comitê se senta em uma sala cheia de retratos de todos os laureados e é uma sala cheia de coragem e integridade. Dessa forma, baseamos nossas decisões apenas no trabalho e na vontade de Alfred Nobel [criador do prêmio]", acrescentou.
Apesar disso, a pressão deve continuar em vista do prêmio de 2026, quando terá havido tempo para avaliar se o acordo na Faixa de Gaza foi bem-sucedido.