Rebelião contra suposta espionagem em prisão na Itália é transmitida ao vivo

Detentos dizem ter achado escutas e pequenas câmeras escondidas em suas celas

1 out 2026 - 13h56
(atualizado às 14h18)
Resumo
Cerca de 40 detentos da prisão Don Bosco, em Pisa, fizeram uma rebelião transmitida ao vivo no TikTok após descobrirem escutas judiciais e câmeras nas celas. O motim causou danos à estrutura e terminou após negociações policiais. Quatro líderes foram transferidos e a entrada ilegal do celular é investigada. O motim reflete a crise no superlotado presídio italiano, alvo de denúncias por condições deploráveis, insalubridade e falta de efetivo.

Dezenas de detentos deflagraram na noite da última quarta-feira (30) uma rebelião na prisão Don Bosco, em Pisa, contra uma "suposta espionagem" e a transmitiram ao vivo nas redes sociais.

A revolta, que foi encerrada por volta das 5h (horário local) desta quinta-feira (1º), após horas de negociações conduzidas por mediadores da Polícia Penitenciária, foi iniciada por cerca de 40 presos, que se trancaram em uma ala da unidade, impediram a entrada dos agentes e atiraram água e objetos contra os guardas.

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Segundo relatos, quatro detentos foram capturados e transferidos para outras unidades sob a acusação de incitar a rebelião. A polícia italiana também avalia a realização de novas transferências, principalmente porque a área atingida sofreu danos extensos durante o protesto.

As autoridades locais indicam que o estopim da revolta teria sido a descoberta de dispositivos de escuta, autorizados judicialmente, instalados em várias celas da ala judiciária. Os detentos também afirmaram ter encontrado pequenas câmeras escondidas.

Em uma transmissão ao vivo no TikTok, realizada de dentro da prisão, alguns detentos alegaram que os equipamentos haviam sido instalados enquanto estavam fora das celas e reivindicaram o direito à privacidade e à liberdade de expressão.

O uso do celular para realizar a transmissão também é alvo de investigação, já que smartphones não deveriam estar em posse dos presidiários. As autoridades procuram esclarecer como o aparelho entrou clandestinamente na unidade.

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Durante o protesto, os presos teriam arrancado instalações e móveis para construir barricadas e dificultar a entrada das forças de segurança.

De acordo com Donato Capece, secretário nacional do sindicato SAPPE, duas seções da Segunda Ala Judiciária e metade da Primeira Ala Judiciária foram danificadas.

Já Gennarino De Fazio, dirigente do sindicato UIL FP da Polícia Penitenciária, relatou que os detentos teriam derramado óleo no chão para dificultar a movimentação dos agentes.

Carabineiros, policiais e agentes penitenciários participaram da operação, bem como um Grupo de Intervenção Operacional (GIO).  Negociadores chegaram de Roma durante a noite. Os detentos haviam solicitado conversar com o comandante da Polícia Penitenciária e com a diretora da prisão, Alice Lazzarotto.

Após o fim do protesto, fontes afirmaram que a situação na unidade estava sob controle. "Todos os agentes penitenciários que estavam de folga foram convocados e posicionados do lado de fora da unidade. O desfecho bem-sucedido deve-se aos esforços de mediação e negociação de toda a equipe, que agiu com profissionalismo, serenidade e um extraordinário senso de dever para com o Estado", afirmou Capece.

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O episódio ocorre em meio a críticas às condições estruturais e sanitárias da prisão de Pisa. Segundo dados divulgados pela organização Antigone, a unidade abriga atualmente 303 detentos, enquanto sua capacidade real é de 185 vagas.

Outros dados mencionados pelas autoridades locais apontam capacidade regulamentar de 199 lugares.

Enrico Vincenzini, presidente do Observatório Antigone na Toscana, classificou as condições da unidade como "deploráveis e desumanas".

Segundo ele, uma visita realizada à prisão há cerca de um mês havia identificado calor excessivo, instalações sanitárias expostas, infiltrações, sujeira e uma infestação de percevejos.

Para Vincenzini, a situação já era problemática antes da chegada de novos detentos transferidos de Sollicciano, em Florença. Parte das alas daquela unidade foi interditada judicialmente, levando à transferência de presos para outras penitenciárias, entre elas a de Pisa.

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"As rebeliões não decorrem de um incidente isolado, mas de uma combinação de fatores e problemas angustiantes", afirmou o representante da Antigone.

O governador da Toscana, Eugenio Giani, também declarou estar acompanhando a situação e destacou a superlotação e os problemas estruturais do sistema prisional italiano.

Já Capece considerou insuficiente a proposta de reforço do efetivo penitenciário na Toscana. A medida prevê a contratação ou alocação de 60 profissionais ? 55 homens e cinco mulheres ? para distribuição entre as unidades da região. 

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