Quase todos os recifes de coral do mundo correm risco de desaparecer nos próximos 50 anos

As mudanças climáticas ameaçam quase todos os recifes de águas rasas do planeta, que podem desaparecer até 2075 devido ao aquecimento dos oceanos. O alerta foi feito nesta quinta-feira (22) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), uma das principais organizações internacionais dedicadas à avaliação do estado de conservação das espécies e dos ecossistemas.

22 out 2026 - 12h41
Resumo
Um relatório da UICN revelou que 96% dos recifes de coral do mundo estão sob risco iminente de extinção nos próximos 50 anos devido ao aquecimento dos oceanos e ao fenômeno El Niño. Apresentado na COP17, o alerta destaca que o aumento das temperaturas causa branqueamento severo, ameaçando santuários como a Grande Barreira de Corais. Especialistas enfatizam que ainda há tempo para recuperá-los, desde que ocorram cortes urgentes nas emissões de gases de efeito estufa e ações globais de conservação.

Em sua primeira avaliação global desse tipo, a UICN classificou 96% dos recifes analisados, distribuídos por mais de 80 países e territórios, como "criticamente em perigo", o nível mais alto de ameaça estabelecido pela organização.

Branqueamento dos recifes na Grande Barreira de Corais: cientistas monitoram a água na Ilha Russell, Austrália, 3 de fevereiro de 2024.
Branqueamento dos recifes na Grande Barreira de Corais: cientistas monitoram a água na Ilha Russell, Austrália, 3 de fevereiro de 2024.
Foto: via REUTERS - AUSTRALIAN INSTITUTE OF MARINE S / RFI

"A ameaça futura das mudanças climáticas é iminente e grave, impondo um risco muito elevado à sobrevivência desses ecossistemas", afirmou Mishal Gudka, responsável científico pela avaliação da Lista Vermelha da UICN dedicada aos ecossistemas de recifes de coral. Os resultados foram apresentados durante a COP17 sobre biodiversidade, realizada em Yerevan.

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Aquecimento dos oceanos ameaça biodiversidade

Os recifes de coral estão entre os ecossistemas mais ricos do planeta e abrigam cerca de um quarto de todas as espécies marinhas. Mas são particularmente sensíveis ao aumento da temperatura da água.

O aquecimento dos oceanos provocado pelas mudanças climáticas aumenta a frequência e a intensidade dos episódios de branqueamento. O fenômeno fragiliza os corais e pode ter consequências devastadoras para os recifes.

Além das mudanças climáticas, o aparecimento neste ano de um "super" El Niño, fenômeno natural associado ao aquecimento das águas do oceano, acrescenta mais um fator de risco, segundo Gudka.

Para o especialista, porém, o diagnóstico deve funcionar como um "sinal de alerta" para estimular os governos a agir, e não como uma "fonte de desespero". Alguns recifes já demonstraram capacidade de recuperação mesmo depois de episódios graves de branqueamento.

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Ainda assim, a UICN alerta para o risco de desaparecimento de alguns dos maiores e mais ricos ecossistemas de corais do planeta. Entre eles estão a Grande Barreira de Corais, na Austrália; o Triângulo de Corais, que se estende pelo Pacífico ocidental e pelo Sudeste Asiático; a Barreira de Corais Mesoamericana, no Caribe; e os recifes do Mar Vermelho.

Uma janela de 50 anos

A análise abrangeu 127 ecossistemas de corais tropicais e subtropicais, que juntos ocupam uma área de 188.362 km².

Para projetar o futuro desses ecossistemas, os pesquisadores utilizaram um cenário intermediário de aquecimento climático, com elevação da temperatura média global de 2,7 °C em relação aos níveis pré-industriais até 2100.

O cenário está próximo da trajetória apontada pelas Nações Unidas diante dos atuais compromissos assumidos pelos países para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Segundo o alerta divulgado na quarta-feira (21), o planeta caminha para um aquecimento de 2,6 °C ao longo deste século.

Outros fatores, como poluição, pesca excessiva e turismo em excesso, também prejudicam a saúde dos recifes. Mas, segundo a UICN, o estresse causado pelo aumento da temperatura da água é a ameaça mais constante associada ao declínio dos corais em escala mundial.

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Apesar da gravidade do quadro, a organização afirma que ainda é possível agir.

"Não é tarde demais para dar aos recifes de corais uma chance de recuperação", afirmou Grethel Aguilar, diretora-geral da UICN. Segundo ela, isso exigirá medidas decisivas de combate às mudanças climáticas e de contenção do aquecimento dos oceanos.

A UICN considera que os próximos 50 anos representam uma "janela crítica" para a conservação dos recifes. A organização defende reduções ambiciosas das emissões de gases de efeito estufa, intensificação das medidas de proteção e restauração e investimentos nos ecossistemas costeiros e nas comunidades que dependem deles.

Metas internacionais ameaçadas

O alerta foi divulgado durante a COP17 sobre biodiversidade, onde os países discutem a implementação do acordo internacional firmado em 2022 que estabeleceu, entre seus objetivos, a proteção de 30% das terras e dos oceanos do planeta até 2030.

O cumprimento da meta, no entanto, torna-se cada vez mais difícil diante da demora dos governos em colocar em prática os compromissos assumidos.

Outro sinal da gravidade da situação apareceu em um estudo publicado na semana passada na revista Nature. A pesquisa concluiu que, em 2020, quase metade das espécies de corais apresentava "alto risco relativo de extinção", tendo as mudanças climáticas como principal fator do declínio.

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Com AFP

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