Protestos se intensificam na Índia pela renúncia do presidente da Comissão Eleitoral

4 out 2026 - 14h05
Resumo
Milhares de pessoas protestaram em Délhi e Mumbai exigindo a renúncia de Gyanesh Kumar, chefe da Comissão Eleitoral da Índia. A oposição e manifestantes acusam o órgão de manipular os cadernos eleitorais para beneficiar o partido do primeiro-ministro Narendra Modi ao excluir milhões de eleitores aptos. Os atos registraram confrontos e prisões pela polícia pelo terceiro dia seguido. A Comissão e o governo negam irregularidades, alegando que a revisão busca apenas sanar fraudes no cadastro.

Milhares de jovens manifestantes ‌e simpatizantes da oposição se reuniram em Délhi e Mumbai neste domingo para exigir a renúncia do presidente da Comissão Eleitoral da Índia devido a alterações nos cadernos eleitorais, enquanto a polícia detinha alguns manifestantes pelo terceiro dia consecutivo.

Os líderes da oposição Raj Thackeray e Uddhav ⁠Thackeray lideraram os protestos em Mumbai, exigindo que as revisões fossem ‌revogadas e que o presidente da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar, renunciasse.

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Os manifestantes afirmam que as mudanças beneficiam o Partido Bharatiya Janata (BJP), do ‌primeiro-ministro Narendra Modi, acusação negada pela Comissão ‌Eleitoral e pelo próprio BJP.

Na capital, Nova Délhi, os manifestantes começaram ⁠a se reunir no início da noite e alguns foram detidos pela polícia, segundo uma testemunha da Reuters.

Alguns manifestantes romperam as barricadas policiais e cercaram veículos que transportavam manifestantes detidos, subindo neles e deitando-se na rua para bloquear o caminho, acrescentou a testemunha.

"A polícia me ‌arrastou pelos cabelos", disse Aahna Singh, ativista e estudante de ciências políticas ‌da Universidade Jawaharlal Nehru ⁠que participava do ⁠protesto. "A polícia está recorrendo à brutalidade."

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A Polícia de Délhi não respondeu imediatamente a um ⁠pedido de comentário enviado por ‌email.

A polícia da capital impediu ‌que os manifestantes se reunissem nos últimos dois dias, detendo dezenas deles e transportando-os de ônibus para fora da área.

Alguns dos detidos foram liberados mais tarde na sexta-feira e no sábado, mas ⁠a polícia registrou processos contra alguns deles sob a acusação de violarem as ordens que proíbem aglomerações no centro da capital.

Os manifestantes afirmam que o processo nacional de revisão do cadastro eleitoral, iniciado no ano passado, privou milhões de ‌eleitores qualificados de seu direito de voto ao removê-los dos cadernos eleitorais de forma a beneficiar o partido de Modi.

"Só quero dizer ⁠isso ao partido no poder... Estamos indignados com a forma como vocês estão exercendo esse poder. É o povo deste país que deve decidir quem ocupa o poder e quem fica na oposição, não a Comissão Eleitoral", afirmou o líder da oposição, Raj Thackeray.

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A Comissão Eleitoral afirma que o processo tem como objetivo remover registros duplicados, de pessoas falecidas ou inelegíveis e manter a integridade eleitoral. Na sexta-feira, ela instruiu seus funcionários a registrar eleitores qualificados que tenham sido inadvertidamente omitidos das listas eleitorais.

Kumar não respondeu publicamente às exigências por sua renúncia nem comentou os protestos, que parecem destinados a continuar nos próximos dias devido a mais manifestações planejadas.

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