Entre as demandas, os manifestantes exigiam a queda da República Islâmica, após a violenta repressão que sufocou uma onda generalizada de protestos desde o final de dezembro.
Os participantes do ato marcharam até a Theresienwiese, uma grande praça na zona oeste da cidade, em uma atmosfera pacífica e tranquila. Manifestantes chegaram a oferecer tulipas e rosas aos policiais.
Alguns agitavam bandeiras com as cores verde, branca e vermelha, estampada com o emblema da monarquia derrubada em 1979. Vários militantes entrevistados pela AFP apontaram a falta de legitimidade do governo iraniano e denunciaram as negociações conduzidas pelos Estados Unidos no conflito.
"Quando um governo mata seu próprio povo nas ruas, não é confiável", disse Razieh Shahverdi, uma iraniana de 34 anos que viajou de Paris para participar do ato.
ONGs de direitos humanos denunciam a morte de milhares de manifestantes no Irã durante a onda de protestos, que começou em 28 de dezembro de 2025, motivada inicialmente pela desvalorização do rial iraniano, moeda local.
Apelos à volta da monarquia
Alguns manifestantes no protesto exibiam retratos do filho exilado do deposto Xá, Reza Pahlavi, e entoavam slogans como "Javid Shah" (Viva o Xá), "Pahlavi bar migarde" (Pahlavi retorna) e "Reza II", conclamando este opositor do regime atual a se tornar o sucessor do fundador da dinastia Pahlavi, seu avô Reza Shah.
"É a melhor opção para o nosso país porque conhecemos a família Pahlavi", argumentou uma médica iraniana de 40 anos que vive na Alemanha e não quis ter seu nome divulgado.
Durante seu discurso no Conselho de Segurança Marítima na manhã deste sábado, Reza Pahlavi pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que "ajude" o povo iraniano, afirmando que "era hora de pôr um fim à República Islâmica".
"Esta é a reivindicação que ecoa desde o derramamento de sangue dos meus compatriotas, que não nos pedem para reformar o regime, mas para ajudá-los a enterrá-lo", acrescentou Pahlavi, personagem proeminente da oposição iraniana que vive exilado em Nova York.
Manifestações pedindo ação internacional contra Teerã também estão planejadas para este sábado em Toronto, no Canadá, e Los Angeles, nos Estados Unidos.
Na semana passada, cerca de 10 mil pessoas já haviam se reunido em Berlim, de acordo com a polícia alemã, em resposta a uma convocação do Conselho Nacional da Resistência do Irã, braço político do grupo de oposição exilado Mujahedin do Povo do Irã, que Teerã considera uma organização "terrorista".
Com AFP