Problemas técnicos e banheiros entupidos obrigam maior porta-aviões do mundo a deixar o Mar Vermelho

O maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, da Marinha dos Estados Unidos, atualmente em operação no Mar Vermelho e desempenhando um papel fundamental na guerra contra o Irã, está enfrentando diversos problemas após quase nove meses de missão. A previsão é de que ele siga em breve para Creta para reparos, após um incêndio que começou a bordo na semana passada.

18 mar 2026 - 16h24

A sua retirada deixaria uma lacuna significativa para as forças americanas envolvidas na guerra contra o Irã, já que as dezenas de caças que transporta contribuíram para as mais de duas semanas de ataques. De acordo com o The New York Times, que cita um oficial militar, o navio provavelmente será substituído por outro porta-aviões, o USS George Bush, que está se preparando para ser enviado ao Oriente Médio.

O USS Gerald R. Ford, o maior porta-aviões do mundo, parte da Base Naval de Souda, na ilha de Creta, Grécia, na quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026.
O USS Gerald R. Ford, o maior porta-aviões do mundo, parte da Base Naval de Souda, na ilha de Creta, Grécia, na quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026.
Foto: © Giannis Angelakis / АР / RFI

O Gerald R. Ford, um navio de US$ 13 bilhões, foi lançado por Donald Trump em 2017, durante seu primeiro mandato. Sua primeira missão ocorreu cinco anos depois, em 2022. Impulsionado por dois reatores nucleares, o porta-aviões tem mais de 335 metros de comprimento — mais alto que a Torre Eiffel — 75 metros de largura e pode navegar a aproximadamente 55 km/h. Pode deslocar 100 mil toneladas em carga máxima. Sua tripulação é composta por mais de quatro mil marinheiros. O navio transporta dezenas de aviões de guerra e atualmente é escoltado por destróieres de mísseis guiados.

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Este é o primeiro porta-aviões da classe Ford, um novo projeto concebido para substituir gradualmente os porta-aviões da classe Nimitz.

Antes de ser enviado para o Oriente Médio, o Gerald R. Ford participou de operações americanas no Caribe, onde Washington conduz uma intensa campanha aérea contra navios supostamente envolvidos com o narcotráfico. Ele foi utilizado na apreensão de petroleiros sancionados e na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, no início de janeiro.

Problemas graves com as instalações sanitárias

Na semana passada, um incêndio "sem relação com combate" ocorreu na lavanderia do navio e feriu dois marinheiros. "Cerca de 100 camas foram danificadas", disse um oficial americano na terça-feira, acrescentando que o incêndio não afetou as operações do porta-aviões e que todos os marinheiros tinham onde dormir.

O navio também enfrenta sérios problemas com suas instalações sanitárias, com a imprensa americana relatando ralos entupidos e longas filas nos banheiros. O problema não é novo. De acordo com um relatório governamental de 2020, seus ralos entopem "inesperadamente e com frequência" e exigem limpeza regular, que custa US$ 400 mil cada vez.

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A Marinha dos EUA reconheceu essas dificuldades. Mas o comando do navio afirmou que "os incidentes de entupimento de ralos são resolvidos rapidamente por pessoal treinado em solução de problemas e engenharia, com tempo de inatividade mínimo".

O senador Mark Warner, vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado, criticou duramente o longo período de serviço do navio na terça-feira. "O USS Ford e sua tripulação foram levados ao limite após quase um ano no mar e estão pagando o preço pelas decisões militares imprudentes do presidente Donald Trump", disse ele em um comunicado.

RFI com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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