Presidente de Cuba acusa EUA de "genocídio político" no aniversário da revolução

26 jul 2026 - 12h52
(atualizado às 13h06)

O ‌presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, emitiu uma forte condenação ao embargo petrolífero de Washington e ao endurecimento das sanções em um discurso neste domingo, classificando a política do governo do presidente norte-americano, Donald Trump, como "genocídio político".

Díaz-Canel criticou um relatório recente do Departamento de Estado dos EUA, que acusou ⁠Cuba de se infiltrar no governo norte-americano e de apoiar uma "onda sem ‌precedentes de terrorismo de esquerda em solo americano".

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O governo Trump intensificou seus ataques a grupos de esquerda dentro dos Estados Unidos.

"Ao acusar Cuba, ‌eles não estão apenas procurando um bode ‌expiatório, um agente externo. Estão procurando alguém para culpar pelos protestos ⁠dos setores mais afetados por uma economia que torna os ricos mais ricos e os pobres mais pobres", disse Díaz-Canel.

"Eles estão procurando uma nova desculpa para sustentar seu genocídio político contra Cuba."

O discurso ressaltou as crescentes tensões entre Havana e Washington, à medida que o embargo petrolífero ‌e as sanções ampliadas do governo Trump aprofundaram a pior crise econômica ‌de Cuba em décadas, ⁠provocando apagões rotativos ⁠e escassez de combustível em toda a ilha.

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O discurso de Díaz-Canel, proferido ao amanhecer, ⁠fez parte das comemorações do governo ‌para marcar o 73º ‌aniversário da primeira ofensiva das guerrilhas de Fidel Castro contra o exército do líder Fulgencio Batista, apoiado pelos EUA, em 1953, dando início a uma rebelião que derrubou Batista mais de cinco anos ⁠depois.

Feriado mais importante do calendário cubano, o evento deste domingo também contou com apresentações artísticas diante de milhares de apoiadores do governo.

A crise econômica sem precedentes na ilha levou várias empresas internacionais, especialmente nos setores de turismo e financeiro, a encerrarem ‌operações em Cuba. Além dos apagões rotativos, o esgotamento do estoque de combustível provocou múltiplas falhas na rede elétrica em nível nacional. O ⁠transporte público do país também ficou paralisado e o ano letivo foi encurtado por falta de combustível.

Washington culpa o governo cubano pela má gestão econômica e pela falta de investimento.

Em seu discurso, Díaz-Canel pediu o fim das sanções e do bloqueio petrolífero e agradeceu aos grupos internacionais que enviaram ajuda humanitária e suprimentos para a ilha.

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"Que Cuba viva em paz, e que também vivam em paz os mais nobres do povo norte-americano, que historicamente lutaram pelos direitos humanos de outros povos, sem esperar reconhecimento e muitas vezes enfrentando perseguição, prisão e riscos à própria vida", disse ele.

"Cuba não é uma ameaça para os Estados Unidos nem para qualquer outro país do mundo."

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