Premiê do Reino Unido diz que Rússia interferiu em votação do Brexit em 2016

12 out 2026 - 09h47
Resumo
O premiê britânico, Andy Burnham, declarou que a Rússia interferiu no referendo do Brexit em 2016, usando a afirmação para alertar França e Alemanha sobre ações de Moscou. Apesar de ser o primeiro líder britânico a admitir a interferência abertamente, Burnham não detalhou as provas. Seu gabinete e o Ministério das Relações Exteriores reforçaram que a tentativa russa não teve sucesso e que o resultado da saída da União Europeia segue legítimo. A Rússia e aliados do Brexit refutam a acusação.

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, ‌afirmou que a Rússia interferiu na votação do Brexit de 2016, embora seu gabinete tenha declarado posteriormente que Moscou não conseguiu influenciar o resultado e que a decisão de sair da União Europeia foi legítima.

Burnham, que assumiu a liderança do Reino Unido em julho e afirmou no mês passado que o país poderia ⁠considerar um retorno à União Europeia no futuro, é o primeiro primeiro-ministro britânico ‌a afirmar abertamente que há evidências de interferência russa na votação.

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Ele fez o comentário ao alertar os eleitores da França e da Alemanha sobre as ‌tentativas apoiadas por Moscou de influenciar a política ‌desses países.

"Fiz a seguinte pergunta ao chegar a Downing Street: houve interferência ⁠da Rússia no referendo de 2016? E recebi a resposta clara de que sim, houve", disse Burnham em entrevista ao podcast "The Rest Is Politics".

Burnham não explicou como acredita que a Rússia tenha interferido no referendo e não deu detalhes sobre quais evidências essa afirmação se baseia.

A embaixada russa em Londres não respondeu a ‌um pedido de comentário.

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A Rússia já havia negado anteriormente qualquer interferência na votação ‌do Brexit, retratando a Reino ⁠Unido como um ⁠país tomado por histeria antirussa.

RESULTADO CONTINUA LEGÍTIMO

Os comentários de Burnham marcam um afastamento das declarações ⁠do ex-primeiro-ministro Boris Johnson, que fez campanha ‌pela saída da UE e ‌afirmou, em 2020, que não havia evidências de interferência russa no referendo.

Os britânicos votaram por 52% a 48% a favor da saída da UE em 2016, mergulhando o país em sua maior crise política desde a ⁠Segunda Guerra Mundial.

O secretário adjunto do Ministério das Relações Exteriores, Stephen Doughty, esclareceu as declarações de Burnham nesta segunda-feira, afirmando que não há evidências de que a Rússia tenha interferido com sucesso no referendo.

Questionado se a interferência pode ter alterado o resultado, ele disse à ‌Sky News: "Eles não tiveram sucesso."

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Um porta-voz de Burnham também afirmou que o governo acredita que o resultado do referendo foi legítimo.

Nigel Farage, um dos principais defensores ⁠do Brexit, chamou Burnham de "mentiroso" e disse que ele tem "todo tipo de ideias bizarras".

Burnham disse no podcast que os eleitores nas democracias europeias precisam estar mais bem informados sobre tentativas de perturbar sua política.

"Quero dizer, é importante deixar essas coisas bem claras agora e acredito que isso ajude os eleitores na Alemanha e na França a entenderem que parte dessa política é instigada por nossos inimigos, a saber, a Rússia", disse ele.

Um relatório de 2020 da Comissão de Inteligência e Segurança do Parlamento do país constatou que o governo britânico não conseguiu determinar se a Rússia interferiu no referendo de 2016.

O relatório também constatou que a Rússia tentou influenciar o referendo sobre a independência da Escócia de 2014, no qual os eleitores rejeitaram a independência.

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