As informações sobre os encontros de Sharif com Vance e com a delegação iraniana foram divulgadas por meio de comunicados oficiais. Segundo a televisão estatal paquistanesa, os termos das discussões entre Irã e Estados Unidos — cujo calendário e formato ainda não são conhecidos — serão definidos ainda hoje.
"Saudando o compromisso das duas delegações em dialogar de maneira construtiva, o primeiro‑ministro Shehbaz Sharif expressou a esperança de que essas conversas levem a uma paz duradoura na região", diz uma nota oficial do governo paquistanês.
O Paquistão formou uma equipe de especialistas para contribuir com as discussões sobre questões de tráfego marítimo, nuclear e outros temas centrais, declarou uma fonte diplomática próxima ao dossiê. O encontro está sendo acompanhado de perto por outros atores que contribuíram para os esforços diplomáticos — Egito, Turquia e China — com os quais o Paquistão continua se coordenando, acrescentou essa fonte.
Acompanhado do emissário especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e do genro de Donald Trump, Jared Kushner, o vice-presidente americano foi recebido nesta manhã pelo chefe das Forças Armadas paquistanesas, Asim Munir, ao desembarcar. Já o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, chegaram na noite de sexta-feira (10) a Islamabad, à frente de uma delegação de mais de 70 pessoas.
Antes do início das discussões, cada lado fez suas ressalvas. Segundo Vance, se os iranianos tentarem enganar os Estados Unidos "vão descobrir que a equipe de negociação não é tão receptiva". Já Ghalibaf garantiu que o Irã tem boas intenções, mas disse não confiar nos Estados Unidos.
Condições para negociar
De acordo com a agência de notícias iraniana Fars, a delegação do Irã anunciará neste sábado se deseja ou não iniciar as negociações ainda hoje. "Novas mensagens" teriam sido entre o Teerã e Washington na noite de sexta‑feira.
O Irã afirma ter estabelecido duas pré‑condições para as negociações: "um cessar‑fogo no Líbano", onde Israel conduz uma sangrenta campanha contra o grupo Hezbollah e "o desbloqueio dos ativos do Irã".
Uma fonte iraniana de alto escalão declarou à agência Reuters que os Estados Unidos aceitaram desbloquear ativos iranianos retidos no Catar e em bancos de outros países estrangeiros. Washington ainda não confirmou a informação, mas o gesto estaria relacionado à possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz, afirmou a mesma fonte.
Em uma mensagem publicada em sua rede social Truth Social, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que "os iranianos parecem não perceber que não têm nenhuma carta na manga, além de um esquema de extorsão de curto prazo nas águas internacionais". "A única razão pela qual ainda estão vivos hoje é para negociar", acrescentou.
Negociações sobre paz no Líbano
Desde o anúncio da trégua entre os Estados Unidos e o Irã, na última semana, Israel se recusou a pausar sua luta contra o Hezbollah pró‑iraniano no Líbano. Na quarta‑feira (8), as forças israelenses mataram 357 pessoas e feriram mais de 1.200 em ataques no território libanês.
A presidência libanesa anunciou na noite de sexta-feira um encontro com autoridades israelenses na próxima terça-feira (14) em Washington para negociar um cessar-fogo, embora Israel se recuse a dialogar com membros do grupo Hezbollah.
A zona limítrofe entre os dois países continua sendo palco de tensões neste sábado. Nesta manhã, o Hezbollah afirmou ter lançado ataques com drones e foguetes contra soldados israelenses posicionados no sul do Líbano e contra localidades israelenses próximas à fronteira.
RFI com agências