O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reforçou na quarta-feira sua oposição ao ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, alertando que o conflito corre o risco de desencadear um grande desastre global.
Sánchez respondeu depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou cortar relações comerciais com Madri devido à sua posição sobre o conflito e à sua recusa em permitir que aeronaves norte-americanas usassem bases navais e aéreas operadas conjuntamente no sul da Espanha para a ofensiva contra Teerã.
"Não vamos ser cúmplices de algo que é ruim para o mundo, nem contrário aos nossos valores e interesses, simplesmente para evitar represálias de alguém", disse Sánchez em um discurso televisionado à nação.
Sánchez, um dos críticos mais ferrenhos de Trump e do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, afirmou que os governos existem para melhorar a vida das pessoas e criticou os líderes que "usam a névoa da guerra para esconder seu fracasso" em casa.
"É assim que começam os grandes desastres da humanidade... Não se pode jogar roleta russa com o destino de milhões de pessoas", declarou ele.
"NÃO À GUERRA"
As tensões entre os dois aliados da Otan aumentaram depois que Sánchez criticou os bombardeios dos EUA e de Israel ao Irã como imprudentes e ilegais, enquanto a maioria das outras nações europeias se absteve de criticar diretamente os ataques.
Israel também criticou Sánchez, acusando-o de "apoiar tiranos" no Irã e na Palestina.
O país também se absteve até agora de se envolver em operações defensivas, mesmo com Reino Unido, França e Grécia enviando armamentos para Chipre, que foi atingido por um drone na segunda-feira, e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer autorizando o uso de bases do Reino Unido para ataques defensivos contra Teerã.
Sánchez disse que o mundo não pode resolver seus problemas com conflitos e bombas.
"A posição do governo espanhol pode ser resumida em palavras: 'Não à guerra'", disse ele, acrescentando que a postura não era ingênua, mas coerente.
Sánchez destacou os efeitos colaterais negativos da guerra do Iraque, desde o aumento do terrorismo jihadista até a alta nos preços da energia, para argumentar que as consequências desse ataque ao Irã são igualmente nebulosas e que não levariam a uma ordem internacional mais justa.