Preços ao consumidor nos EUA aceleram em setembro com aumento da gasolina

14 out 2026 - 10h39
Resumo
Puxada pela alta de 7,1% na gasolina, a inflação nos EUA acelerou 0,6% em setembro, acumulando 3,7% em 12 meses. O avanço reacende o debate sobre novo aumento dos juros pelo Fed e amplia a pressão sobre Donald Trump antes das eleições de novembro. Pesquisas mostram que a alta no custo de vida tem derrubado a popularidade do presidente, com 78% dos cidadãos culpando suas medidas econômicas e externas pela perda do poder de compra frente aos salários. O núcleo da inflação ficou em 2,6% no ano.

Os preços ao consumidor nos ‌Estados Unidos aceleraram em setembro em meio a um aumento acentuado nos custos da gasolina, representando mais um golpe para o presidente Donald Trump e seu Partido Republicano às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato de 3 de novembro e colocando novamente em pauta um aumento da taxa de juros ⁠ainda neste mês.

O Índice de Preços ao Consumidor subiu 0,6% no mês passado, ‌após alta de 0,4% em agosto, informou nesta quarta-feira o Departamento de Estatísticas do Trabalho, do Departamento do Trabalho dos EUA. Nos 12 meses até ‌setembro, o índice avançou 3,7%, após alta de ‌3,4% em agosto.

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Economistas consultados pela Reuters previam que o índice subiria 0,6% ⁠no mês e aumentaria 3,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os preços da gasolina dispararam 7,1% em setembro, segundo dados da Administração de Informações sobre Energia dos EUA.

O relatório veio na sequência de pesquisas realizadas neste mês que mostraram uma deterioração ainda maior no ânimo do consumidor e uma ‌queda acentuada na popularidade de Trump, impulsionada pela ansiedade em relação ao aumento ‌do custo de vida. Uma ⁠pesquisa Reuters/Ipsos revelou ⁠que cerca de 78% dos norte-americanos atribuíram às políticas de Trump — incluindo tarifas sobre importações ⁠e o conflito dos EUA e ‌de Israel contra o Irã — ‌a responsabilidade pelo aumento dos preços, que estão superando o crescimento dos salários. 

INFLAÇÃO SUBJACENTE AUMENTA

Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice subiu 0,3% em setembro, igualando o aumento registrado em agosto. Nos 12 ⁠meses até setembro, a inflação do índice básico aumentou 2,6%, após avançar 2,4% em agosto. O Federal Reserve utiliza o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) como referência para sua meta de inflação de 2%. O Índice de Preços ao Consumidor básico está ‌ficando atrás da inflação do PCE básico, que aumentou 3,0% em agosto, devido aos diferentes pesos atribuídos aos componentes das cestas.

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No mês passado, o Fed ⁠elevou sua taxa básica de juros overnight em 25 pontos-base, para a faixa de 3,75% a 4,00% — o primeiro aumento em três anos — e sinalizou novos aumentos nos custos de empréstimos nos próximos meses. Antes do dado de inflação desta quarta-feira, os mercados financeiros atribuíam uma probabilidade de cerca de 22% de um aumento dos juros na reunião de política monetária de 27 e 28 de outubro, segundo a ferramenta FedWatch do CME Group.

As chances de um aumento dos juros nos EUA neste mês diminuíram após ganhos decepcionantes na folha de pagamento em setembro, bem como dados de inflação do PCE mais baixos do que o esperado para julho e agosto. Economistas esperavam que o Fed aumentasse os juros em dezembro.

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