Policiais em Madison, no Estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, atiraram mortalmente em um homem que tentavam prender na quarta-feira, durante um confronto corporal em uma rua, que foi filmado por transeuntes e se tornou viral na internet, provocando protestos na cidade.
A polícia informou que o policial que disparou foi ferido por uma faca que o homem sacou durante a luta.
Um vídeo do incidente gravado por transeuntes, que circula na internet e na mídia, sugeriu que o homem baleado era negro, e todos os quatro policiais envolvidos no incidente pareciam ser brancos.
Assim como em muitos outros disparos de tiros fatais envolvendo a polícia nos EUA nos últimos anos, a questão racial aumentou as tensões sobre se o uso de força letal foi justificado, com um grupo de defesa da comunidade afro-americana afirmando que o homem baleado na capital de Wisconsin era negro.
"A Polícia de Madison atirou em mais um homem negro. Precisamos manter todos os olhos voltados para a polícia de Madison. Nós mesmos garantimos nossa segurança", afirmou o grupo Urban Triage em uma mensagem publicada nas redes sociais.
Em coletiva de imprensa, o chefe de polícia de Madison, John Patterson, descreveu o homem que foi morto apenas como um homem na casa dos 30 anos e se recusou a especificar sua raça, ou a raça de qualquer um dos quatro policiais — três homens e uma mulher.
Patterson disse que o incidente ocorreu quando a polícia atendeu a uma chamada sobre uma pessoa suspeita de "revistar veículos estacionados" no bairro de Marquette, em Madison, capital de Wisconsin. Quando a polícia localizou o homem e tentou abordá-lo, ele fugiu de bicicleta.
Os policiais o alcançaram cerca de 30 minutos depois, e a briga se seguiu depois que o homem "ou caiu da bicicleta ou foi retirado dela pelos policiais", disse o chefe de polícia.
Patterson disse que uma investigação "independente" será realizada pela divisão criminal do Departamento de Justiça de Wisconsin e que todos os quatro policiais serão afastados de suas funções.
O chefe de polícia disse ter analisado dois vídeos gravados por testemunhas que circulavam na internet, mas afirmou que havia imagens adicionais que ainda não haviam sido amplamente divulgadas e pediu ao público que não tirasse conclusões precipitadas.
Questionado se classificaria o episódio como um caso aparente de uso excessivo da força, Patterson respondeu: "Não posso determinar isso".
O vídeo que está se tornando viral apresenta "uma perspectiva" do incidente, disse ele, acrescentando: "não é uma visão completa de tudo o que era visível de diferentes ângulos".
O vídeo na internet mostra os quatro policiais uniformizados lutando com o homem em meio a gritos de "Soltem" e "ele está com uma faca".
Em um trecho, ouve-se um policial gritando "Taser" enquanto a polícia agarra o homem. Segundos depois, o homem é jogado no chão, e um policial pisa em suas pernas enquanto outro saca a arma e dispara três tiros. Esse policial então parece guardar a arma no coldre e se ajoelha ao lado do homem, que parou de se mover.
Patterson disse que também lhe pareceu que houve três tiros, e todos foram disparados por um único policial, que ele descreveu como um "veterano" do departamento.
Ele disse que o policial que disparou a arma o fez depois de ter sofrido ferimentos causados por uma "faca grande de lâmina fixa" que o homem havia "sacado ou mostrado" momentos antes, enquanto a polícia tentava imobilizá-lo, já que ele resistia à prisão.
Um segundo policial sofreu um ferimento não especificado durante o confronto, segundo o chefe de polícia.
Entre o momento em que a faca foi sacada e os disparos, outro policial tentou imobilizar o homem com uma arma de choque Taser, mas o dispositivo, por razões desconhecidas, se mostrou ineficaz, disse Patterson.
Não ficou claro quanto tempo se passou entre o momento em que a faca foi sacada e os tiros disparados, disse ele. Mas um objeto que pode ter sido a faca é visto no chão desde o início do vídeo, que não captou o início da luta.
Imagens da mídia mostraram multidões de manifestantes se reunindo e marchando em direção ao Capitólio estadual em protesto após o caso.