Os gastos com defesa no país já vinham crescendo desde o início da guerra em Gaza, após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 em território israelense. Os ataques contra o Irã desde 28 de fevereiro e no sul do Líbano exigem ainda mais recursos, lembraram os parlamentares.
Durante os debates que antecederam a votação, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, de extrema direita, considerou o momento como "uma virada histórica" para Israel, "que reestrutura nossa abordagem de segurança e nossa economia". Segundo ele, o país tem a capacidade de remodelar o Oriente Médio e o orçamento coloca a nação em posição de vencer".
Já o principal líder da oposição, Yair Lapid, considerou o orçamento como "o maior roubo da história do Estado".
"O povo israelense não é ingênuo. Entende que este orçamento é uma bênção para os corruptos e para aqueles que fogem de suas responsabilidades — que festejam às nossas custas", afirmou Lapid.
No início da semana, Lapid criticou o governo, condenando os atrasos na aprovação de uma lei que permitiria convocar judeus ultraortodoxos, hoje isentos do serviço militar. A lei atende às demandas de grande parte da população israelense, cada vez mais contrária às isenções dadas aos ultraortodoxos.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que depende do apoio dos partidos ultraortodoxos para se manter no poder, atua para retardar a aprovação do texto. Lapid também denunciou que o aumento dos gastos com defesa implicará um corte de 3% em todos os outros ministérios.
Recursos para ultraortodoxos
Paralelamente, o governo Netanyahu aprovou um aumento significativo nos recursos destinados aos ultraortodoxos e aos colonos, para garantir seu apoio político.
Os partidos ultraortodoxos receberão mais de € 652 milhões adicionais para as escolas privadas que controlam. Apesar dos cortes drásticos impostos a todos os orçamentos civis, o financiamento das colônias permanece inalterado, segundo relatório da organização anticolonização Peace Now (Paz Agora).
O documento classificou a medida como um "roubo descarado de fundos públicos", em benefício de um pequeno grupo da base governista. Em 4 de dezembro, o governo aprovou um plano para investir mais de € 761 milhões nos próximos cinco anos no desenvolvimento de assentamentos na Cisjordânia ocupada, consideradas ilegais pelo direito internacional.
Com agências