O Paquistão está explorando um caminho para a retomada das negociações paralisadas entre EUA e Irã sobre o fim da guerra, afirmaram três fontes paquistanesas, na sequência de uma iniciativa lançada pela China.
Discussões exploratórias ocorreram durante uma visita do ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, a Islamabad nesta semana -- sua segunda visita nos últimos dez dias, segundo as fontes.
Momeni, considerado próximo à Guarda Revolucionária do Irã, se reuniu nesta semana com líderes do governo paquistanês e com o chefe do Exército, Asim Munir, de acordo com comunicados do governo paquistanês.
Todas as três fontes alertaram que os obstáculos a quaisquer negociações com os EUA continuam sendo grandes.
FECHAMENTO DO ESTREITO DE ORMUZ AFETA A CHINA
O Paquistão se vê em uma situação cada vez mais complicada como potencial mediador no futuro. No início desta semana, o movimento houthi do Iêmen, apoiado pelo Irã, declarou um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, um aliado próximo de Islamabad que assinou um tratado de defesa mútua com o Paquistão no ano passado.
O Paquistão depende do apoio financeiro saudita, e Islamabad condenou veementemente os recentes ataques houthis à Arábia Saudita. Ser visto como excessivamente receptivo aos argumentos iranianos poderia frustrar Riade.
Mas Islamabad depende igualmente de Pequim, que também tem sido um importante financiador do Paquistão e tem interesse em encontrar uma solução diplomática para a reabertura de importantes rotas comerciais no Oriente Médio.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, discutiu a nova iniciativa para o Oriente Médio com autoridades chinesas durante sua visita à China, na semana passada, segundo as três fontes paquistanesas. Elas falaram sob condição de anonimato, pois não estavam autorizadas a discutir o assunto publicamente.
"Os chineses estão insatisfeitos porque os ataques do Irã a outros países do Golfo e o fechamento do Estreito de Ormuz estão prejudicando seus interesses", disse uma autoridade do governo paquistanês. Interrupções no Mar Vermelho afetariam outra rota comercial fundamental da qual Pequim depende.
Ishaq Dar e o departamento de relações públicas das Forças Armadas do Paquistão não responderam aos pedidos de comentário.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que "a China apoia os esforços de mediação realizados pelo Paquistão e por outras partes".
Acrescentou que a China continuará a "desempenhar um papel ativo na restauração da paz e da tranquilidade na região do Golfo do Oriente Médio o mais rápido possível".
É NECESSÁRIO SUSPENDER ATAQUES, DIZ AUTORIDADE
Pequim é o maior parceiro comercial do Irã e o principal comprador de seu petróleo bruto exportado, apesar das sanções internacionais contra Teerã, beneficiando-se de um grande desconto nessa fonte de energia.
Ao longo dos anos, a China também aumentou o apoio à segurança do Irã por meio de componentes de dupla utilização, equipamentos de chips e sistemas de navegação por satélite, embora não tenha fornecido abertamente ajuda militar ao país desde o início da guerra.
Pequim tem apoiado consistentemente os esforços de mediação do Paquistão e, em março, mandou seu enviado especial para liderar uma viagem de diplomacia itinerante pelo Oriente Médio.
Os EUA e o Irã assinaram um memorando de entendimento em junho para avançar rumo ao fim da guerra, após mediação do Paquistão e do Catar. O objetivo era proporcionar um prazo de 60 dias para negociações sobre um acordo permanente.
Mas as negociações indiretas não renderam nenhum avanço. Ambos os lados se culparam mutuamente por violações, e o conflito foi retomado.
Os houthis afirmaram na quinta-feira que atacaram dois petroleiros sauditas como parte de seu bloqueio naval, ameaçando criar um segundo ponto de estrangulamento para o abastecimento global de petróleo, além do quase fechamento do Estreito de Ormuz.
A escalada aumentou tanto os riscos quanto os obstáculos para os mais recentes esforços diplomáticos do Paquistão.
A suspensão dos ataques à Arábia Saudita e a outros países do Golfo seria agora um "pré-requisito para a retomada de quaisquer negociações", afirmou uma autoridade paquistanesa.
Essa é uma mensagem que o Paquistão transmitiu ao Irã, acrescentou a autoridade.