O papa Leão XIV recebeu nesta segunda-feira (27) a arcebispa da Cantuária, Sarah Mullally, primeira mulher a liderar a Igreja da Inglaterra, e fez um apelo por união entre as duas religiões, que percorrem caminhos separados há quase 500 anos.
"Seria escandaloso se não continuássemos a nos empenhar para superar nossas divergências, por mais insanáveis que elas possam parecer", declarou o pontífice.
Leão XIV também lembrou da histórica declaração de 1966, quando o então bispo da Cantuária, Michael Ramsey, e o papa Paulo VI anunciaram o primeiro diálogo teológico entre anglicanos e católicos para tentar "restabelecer a plena comunhão na fé e na vida sacramental"
Mullally mostrou sintonia com Robert Prevost. "Com gratidão pelo seu ministério como bispo de Roma e pela sua generosa acolhida hoje, asseguro-lhe as minhas orações enquanto caminhamos juntos rumo à unidade que é a vontade de nosso Senhor", disse a arcebispa.
A líder anglicana também prometeu unir esforços ao Papa nas "orações pela paz no nosso mundo, pela justiça e para que cada pessoa possa descobrir a plenitude da vida que Deus oferece" e destacou a importância de "construir pontes, jamais muros".
Casada, mãe de dois filhos e defensora de matrimônios homoafetivos, a arcebispa foi eleita em outubro de 2025 e entronizada como chefe anglicana em março passado, assumindo a liderança espiritual de uma comunidade de 85 milhões de fiéis, nascida do cisma promovido pelo rei Henrique VIII em 1534 para anular a união com a rainha Catarina de Aragão e se casar com Ana Bolena.
Em contraste, a Igreja Católica já rechaçou inúmeras vezes a hipótese de ordenar mulheres e de permitir que padres formem família. "Embora muitos progressos tenham sido feitos em algumas questões historicamente controversas, novos problemas surgiram nas últimas décadas, tornando mais difícil discernir o caminho para a plena comunhão. Sei que a Comunhão Anglicana também está lidando com muitas dessas mesmas questões", afirmou Leão XIV durante o encontro.
"No entanto não devemos permitir que esses desafios contínuos nos impeçam de aproveitar todas as oportunidades possíveis para proclamar Cristo ao mundo juntos", salientou.
Mullally foi eleita na esteira de escândalos de pedofilia e agressões sexuais na Igreja da Inglaterra, que atingiram diversos bispos, incluindo seu antecessor, Justin Welby, que renunciou em novembro de 2024, após ter sido acusado de acobertar denúncias.