O papa Leão XIV ordenou a construção de um novo edifício na Cidade do Vaticano para expandir a Biblioteca e o Arquivo Apostólico, devido ao crescimento do acervo da Santa Sé. A obra, que substitui um plano anterior em Latrão, será erguida na área da Fontana dell'Autoparco e terá o espaço dividido entre as instituições e serviços estatais. O financiamento e a gestão das obras serão viabilizados por uma fundação instrumental criada especificamente pelas duas entidades para captar recursos.
O papa Leão XIV ordenou nesta segunda-feira (14) a construção de um novo edifício destinado a expandir o complexo que abriga a Biblioteca Apostólica do Vaticano e o Arquivo Apostólico.
A decisão consta em um quirógrafo, divulgado na celebração de seu aniversário de 71 anos em um boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé, e foi anunciada durante a inauguração de uma exposição.
"Deus, em Sua Providência ? e às vezes até com um toque de humor ? nos lembra que está conosco; minha mãe era bibliotecária, e aqui estou eu hoje, no dia do meu aniversário, para cumprimentar a todos vocês", afirmou.
Segundo o Papa, o novo imóvel será erguido na área denominada "Fontana dell'Autoparco" e suas imediações, dentro do território do Estado da Cidade do Vaticano, em "conformidade com os mais modernos princípios arquitetônicos e tecnológicos e respeitando as normas vigentes".
Para Leão XIV, o projeto do novo edifício destinado principalmente a atender às necessidades do Arquivo Apostólico Vaticano e da Biblioteca Apostólica Vaticana deve distribuir "o espaço de forma equitativa entre as duas instituições e reservando, ao mesmo tempo, uma parte para outros serviços do Estado da Cidade do Vaticano".
O líder da Igreja Católica explicou ainda que, nas últimas décadas, ocorreu um "crescimento significativo do acervo bibliográfico da Santa Sé" e da documentação gerada por suas instituições.
Como consequência, os espaços disponíveis para a Biblioteca e o Arquivo Apostólico tornaram-se insuficientes.
A necessidade de ampliar as instalações já havia sido abordada durante o pontificado do falecido papa Francisco, que identificou um local na área extraterritorial de Latrão para dispor de novos espaços de conservação.
No entanto, agora o projeto muda de localização. De acordo com Robert Prevost, nos últimos meses surgiram novas possibilidades para construir dentro do próprio território da Cidade do Vaticano, uma solução que considera "sem dúvida preferível por múltiplas razões" à prevista anteriormente.
O Governatorato executará a obra em comum acordo com a Biblioteca e o Arquivo Apostólico e assumirá o gasto correspondente aos espaços destinados aos seus próprios serviços.
A transferência do parque automotivo e o novo estacionamento será financiada, por outro lado, pelo Arquivo e pela Biblioteca.
Leão XIV estabeleceu também o mecanismo por meio do qual deverão ser obtidos e administrados os recursos destinados às obras.
Desta forma, a Biblioteca Apostólica e o Arquivo Apostólico constituirão, como entidades fundadoras e promotoras, uma fundação instrumental vaticana.
A nova entidade terá como finalidade conseguir os recursos econômicos necessários para construir os espaços correspondentes a ambas as instituições e gerir esses fundos.
Além disso, deverá reger-se pelas normas estabelecidas na carta apostólica em forma de "motu proprio" de Francisco de 5 de dezembro de 2022 sobre as pessoas jurídicas instrumentais da Cúria Romana.
Enquanto se aguarda a construção do novo edifício, a Biblioteca Apostólica Vaticana continuará a utilizar os espaços de armazenamento que ocupa atualmente no Pontifício Seminário Maior Romano.
Durante a visita, o Papa também inaugurou a AQVA, mostra da série "Catástrofe e Maravilha", cuja iniciativa marca um novo capítulo na história centenária da missão de conservação e divulgação da Biblioteca Vaticana. O objetivo é oferecer uma ampla reflexão interdisciplinar sobre os elementos naturais como um espelho dos medos e esperanças da humanidade.
Na ocasião, Robert Prevost exaltou a herança de Leão XIII na abertura dos arquivos e da biblioteca a pesquisadores globais, ressaltando a diversidade cultural e religiosa do acervo como um símbolo.
Por fim, ele incentivou a equipe a continuar o trabalho como uma forma de diplomacia gentil e de "portas de reconciliação" na busca por novos caminhos para a paz.