O papa Leão XIV encerrou sua visita de quatro dias à França com uma missa para 35 mil fiéis em Metz, onde fez um forte apelo pela reconciliação entre povos em conflito e pela superação do ressentimento através do perdão. Além de defender a harmonia na Europa, os direitos humanos, os vulneráveis e a família, a viagem apostólica do pontífice pelo país também ficou marcada por discursos em prol da paz, pelo diálogo inter-religioso e por um encontro reservado com vítimas de abusos sexuais na Igreja.
O papa Leão XIV encerrou nesta segunda-feira (28) sua viagem à França com uma missa para 35 mil fiéis na Catedral de Saint-Étienne (Santo Estêvão), em Metz, na qual fez um apelo para que povos em conflito abandonem a lógica da vingança.
"Vocês, que são filhos desta terra dilacerada no passado por conflitos fratricidas, sabem bem que não é verdade que quem se vinga é mais forte do que quem perdoa. Não é verdade que quem não cede é mais forte do que quem procura a reconciliação. Não é verdade que quem vai embora batendo a porta é mais forte do que quem enfrenta o esforço de caminhar junto", afirmou o pontífice em sua homilia.
"A reconciliação só é possível quando se tem a coragem de quebrar a cadeia do ressentimento. É preciso força e grande equilíbrio para não se deixar oprimir pelo mal, sobretudo quando as feridas sofridas são profundas. Mas, perante a injustiça, o único caminho de salvação para o homem é o amor que cuida do outro e que procura dar confiança independentemente das circunstâncias, mesmo perante os comportamentos mais difíceis de aceitar", acrescentou.
O Papa também exaltou princípios como "a primazia da pessoa e o caráter sagrado e inviolável da vida humana, em todas as suas fases; a defesa da liberdade dos indivíduos; a importância primordial da família como fundamento da sociedade; a atenção aos pobres e mais necessitados; o acolhimento do estrangeiro; e o respeito pelos idosos".
"Aprendemos que o futuro da Europa não reside na uniformidade, mas na harmonia das diferenças, onde a ferida do passado se torna uma fresta por onde a luz pode entrar", salientou.
Esse foi o último compromisso oficial de Leão XIV na França antes de embarcar de volta para Roma, após uma viagem que durou quatro dias, com etapas em Paris, Lourdes e Metz. A visita apostólica ficou marcada por discursos em prol da paz e do diálogo inter-religioso, bem como pela condenação da chaga dos abusos sexuais na Igreja Católica, com uma reunião a portas fechadas entre vítimas e o Papa.