'No limite da pirataria': Moscou critica interceptação pela França de petroleiro russo no Atlântico

Moscou considerou "ilegal" nesta segunda-feira (1) a interceptação do petroleiro Tagor, realizada pela Marinha francesa no domingo (31). A embarcação estava a mais de 740 km a oeste da Bretanha, vindo de Murmansk, na Rússia, informou a prefeitura marítima do Atlântico em comunicado.

1 jun 2026 - 08h00

"Consideramos essas ações ilegais, no limite da pirataria internacional", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, durante sua coletiva de imprensa diária. Ele acrescentou que "a Rússia está tomando medidas para garantir a segurança de seus cargueiros".

A embaixada da Rússia em Paris declarou, na segunda-feira, ter solicitado às autoridades francesas informações sobre a eventual presença de cidadãos russos a bordo do petroleiro apreendido, segundo a agência de notícias estatal russa Tass. 

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O capitão do petroleiro "recusou-se a obedecer às instruções da Marinha francesa", declarou o Ministério Público de Brest, que anunciou a abertura de uma investigação criminal por "falta de comprovação da nacionalidade de um navio", "ausência de bandeira" e "recusa de obedecer ordens". A "tomada de controle do navio se tornou necessária", afirmou a Promotoria de Brest.

O capitão se declarou "de nacionalidade russa", informou o promotor de Brest, Stéphane Kellenberger, em comunicado. O navio estava sob sanções europeias e é suspeito de ostentar uma bandeira falsa, disse nesta segunda-feira o presidente Emmanuel Macron.

Este é o quarto petroleiro da chamada "frota fantasma" interceptado pela França, usada por Moscou para contornar as sanções ocidentais sobre suas vendas de petróleo. As outras embarcações, Deyna e Grinch, foram detidas no Mediterrâneo em março e janeiro de 2026, respectivamente, e o Boracay, em setembro de 2025, ao largo de Ouessant, na Bretanha, no oeste da França.

Os três navios haviam sido imobilizados, e os dois últimos foram liberados após pagamento de multas. Vindo do porto de Murmansk, no extremo noroeste da Rússia, o Tagor tinha bandeira dos Camarões e se dirigia à cidade litorânea de Limbé, no país africano.

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Mas a Marinha francesa considerou que provavelmente se tratava de uma bandeira falsa e decidiu abordar o navio, conforme permite a Convenção de Montego Bay sobre o Direito do Mar. "A análise dos documentos confirmou dúvidas quanto à irregularidade da bandeira exibida", afirmou a prefeitura marítima (autoridade francesa responsável pela segurança no mar), que comunicou os fatos ao promotor de Brest.

"É inaceitável que embarcações contornem sanções internacionais, violem o direito do mar e financiem a guerra que a Rússia conduz contra a Ucrânia há mais de quatro anos", declarou Macron em mensagem no X, exibindo imagens da operação. 

A "determinação" da França em combater a frota fantasma russa é "constante e total", afirmou o presidente Macron.

O navio, que conta com 23 tripulantes, está "atualmente sendo escoltado por meios da Marinha francesa até um ponto de ancoragem para a continuidade das verificações", informou a prefeitura marítima. Devido à distância, deverá levar "24 a 48 horas" para chegar ao local, segundo um porta-voz.

Navio ligado a um magnata iraniano

O Tagor mudou de bandeira diversas vezes, tendo ostentado as de Madagascar, Ilhas Marshall e Panamá. Suspeito de transportar petróleo russo ou iraniano apesar das sanções internacionais, o navio estaria ligado ao magnata iraniano do petróleo Mohammad Hossein Shamkhani, segundo o site Opensanctions.org.

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Mohammad Hossein Shamkhani era filho de Ali Shamkhani, conselheiro próximo do antigo líder supremo iraniano Ali Khamenei. Ambos foram mortos em fevereiro, no primeiro dia da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.

"O que motivou a interceptação foram as dúvidas sobre a regularidade da bandeira", declarou o capitão de fragata Guillaume Le Rasle, porta-voz da prefeitura. "É um navio que estava sendo monitorado, conhecido", afirmou, acrescentando que a decisão de desvio foi tomada no domingo à noite. O objetivo da operação é "verificar a autenticidade de sua bandeira". O petroleiro estava "quase vazio" no momento da interceptação, segundo a mesma fonte.

O sistema de identificação do navio (AIS) não emitia sinal de posição há uma semana. O Tagor navegava então ao largo da costa da Noruega, segundo o site Marine Traffic. A França anunciou, em 8 de abril, a intenção de dobrar as penalidades aplicáveis a infrações de ausência de bandeira e recusa de cumprimento de ordens, a fim de reforçar o combate aos navios da frota fantasma russa.

Com agências

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