Netanyahu ordena 'fechamento total' da Cisjordânia após ataque a tiros

Ao menos dois militares israelenses morreram em um tiroteio nos arredores de Hebron

23 out 2026 - 12h35
(atualizado às 12h56)
Resumo
Após um ataque a tiros em Hebron deixar quatro mortos — dois soldados e dois atiradores palestinos —, o premiê Benjamin Netanyahu ordenou o fechamento total da Cisjordânia e anunciou uma vasta operação militar. A ação prevê evacuações de moradores e buscas por armas. A decisão ocorre às vésperas de uma eleição crucial para o mandato de Netanyahu, sob alertas de entidades de direitos humanos quanto à escalada da repressão contra palestinos na região.

Um ataque a tiros em um posto de controle nos arredores de Hebron, na Cisjordânia, deixou ao menos quatro mortos, entre eles dois militares israelenses, e vários feridos. Em resposta à ofensiva armada, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou o "fechamento total" do território.

Ao menos dois militares israelenses morreram em um tiroteio nos arredores de Hebron
Ao menos dois militares israelenses morreram em um tiroteio nos arredores de Hebron
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

De acordo com as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), os dois agressores, ambos palestinos, foram mortos após iniciarem o ataque. Uma investigação militar preliminar indicou que a troca de tiros durou aproximadamente 20 minutos e deixou cinco israelenses feridos, dois dos quais morreram posteriormente. O Exército também afirmou ter frustrado um "ataque terrorista", uma vez que a dupla supostamente pretendia atacar civis em uma rodovia.

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O tiroteio em Hebron provocou uma reação contundente de Netanyahu, que ordenou que as forças armadas israelenses se preparassem para uma operação "muito extensa" na Cisjordânia ocupada. O chefe de governo afirmou que seu país "agiria para destruir este lugar", indicando que os militares entrariam na região onde os atiradores viviam e desalojariam seus moradores.

"Vamos evacuar os moradores, iremos de casa em casa, apreenderemos as armas que lá se encontrarem e toda a infraestrutura terrorista será neutralizada e destruída", disse Netanyahu, segundo seu gabinete.

O governo de Tel Aviv também instruiu as IDF a isolarem Hebron e a se prepararem para o "fechamento total" da Cisjordânia a partir desta sexta-feira (23).

O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, que também ocupa um cargo no Ministério da Defesa, defendeu uma campanha militar no território palestino ocupado "exatamente como na Faixa de Gaza".

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"Não há outra opção senão uma campanha militar abrangente para desmantelar a Autoridade Palestina, recolher armas e eliminar terroristas. Exatamente como em Gaza e no Líbano. No próximo governo, esta será uma das primeiras medidas que devemos exigir e aplicar", declarou o político de extrema-direita.

Diversos grupos de direitos humanos alertaram que o governo israelense poderá usar o ataque desta sexta-feira para justificar medidas ainda mais duras contra os palestinos, especialmente a poucos dias de uma importante eleição que determinará se Netanyahu conquistará ou não mais um mandato como primeiro-ministro de Israel.

A votação, que ocorrerá três anos após os ataques liderados pelo Hamas contra Israel, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza, será na próxima terça-feira (27). O pleito é amplamente visto como um referendo sobre Netanyahu, o premiê que há mais tempo está no comando do país, e que vem sendo criticado pela oposição por não ter impedido os ataques de 7 de outubro de 2023. As pesquisas indicam que as eleições serão uma disputa acirrada entre os blocos pró e anti-Netanyahu. .

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