Na Assembleia Geral da ONU, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, prometeu eleições presidenciais inclusivas e transparentes, embora sem definir datas, afirmando dialogar com a oposição rumo a uma democracia plena. Ela agradeceu a Donald Trump pela retomada das relações diplomáticas com os EUA, criticou interferências externas na soberania nacional e pediu apoio internacional para a recuperação do país, tendo seu discurso formalmente apoiado pela Assembleia Nacional venezuelana.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quarta-feira (23) que haverá um processo eleitoral para eleger o novo mandatário do país, apesar de não ter indicado uma data para a realização do pleito.
Durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, Rodríguez disse que o governo iniciou conversas com setores da oposição para preparar um processo eleitoral com condições de participação para diferentes forças políticas.
"O povo venezuelano, com sua sabedoria ancestral, determinará o momento correto e suas instituições estarão preparadas para garantir esse processo inclusivo e transparente", afirmou.
Segundo Rodríguez, a realização de eleições deve ser acompanhada por condições que assegurem uma disputa política ampla. "A democracia não se mede pela existência de eleições. A democracia se mede pela qualidade da competição que precede essas eleições", declarou.
A presidente interina afirmou ainda que o objetivo do governo é conduzir o país "à plena democracia" e destacou que as instituições venezuelanas estarão preparadas para o processo .
Ela também definiu sua missão como uma "responsabilidade histórica" de conduzir o país "da incerteza e do conflito para uma democracia plena, reconhecida pelo seu próprio povo e pelo mundo".
Em seu discurso, Rodríguez agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela disposição em retomar as relações diplomáticas e a cooperação com a Venezuela.
A presidente interina afirmou que Caracas busca reconstruir os vínculos com Washington com base em "diálogo, negociação e diplomacia", apesar do período de "confrontação agudizada" vivido entre os dois países em 2026.
Rodríguez também criticou o que chamou de interferência estrangeira nos assuntos internos da Venezuela. Para ela, interesses externos contribuíram para o agravamento da crise política venezuelana e afetaram as relações do país com outras nações.
"Venezuela quer respirar livre, exercer seus direitos como nação soberana sem nenhum tipo de intromissão", afirmou ela, pedindo que a comunidade internacional apoie as mudanças políticas no país respeitando a autodeterminação venezuelana.
A presidente também disse que a recuperação do país "levará tempo" e afirmou: "Este é o momento de construir a nação para a qual muitas pessoas desejam retornar".
Após o discurso, a Assembleia Nacional da Venezuela aprovou uma moção de apoio à participação de Rodríguez na 81ª Assembleia Geral da ONU. De acordo com o texto, a "participação estratégica" da líder venezuelana é um instrumento para fortalecer as relações internacionais do país.