Elizabeth Tsurkov, uma estudante de doutorado israelense-russa, foi mantida refém pelo grupo Kataib Hezbollah no Iraque por mais de dois anos, sofrendo torturas físicas e psicológicas até ser resgatada em setembro de 2025.
Uma mulher de 38 anos relatou os momentos de tortura que viveu por dois anos e meio enquanto esteve refém em um cativeiro no Iraque. Elizabeth Tsurkov, de 38 anos, foi torturada psicológica e fisicamente, e disse que foi feita de “saco de pancadas” pelos seus sequestradores. Ela foi libertada em setembro deste ano e está tentando se recuperar do trauma.
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Ao The New York Times, a estudante de doutorado israelense-russa da Universidade de Princeton explicou que foi mantida em cativeiro pelo Kataib Hezbollah, o maior dos grupos paramilitares xiitas apoiados pelo Irã que possuem uma importante influência no Iraque.
O sequestro ocorreu em uma visita ao Iraque, em 21 de março de 2023. Ela já havia ido várias vezes e sempre tomava algumas precauções, como andar com seu passaporte russo e se apresentar como russa. Ela marcou de se encontrar com uma mulher em uma cafeteria no centro de Bagdá, por volta das 21h.
Essa mulher havia se apresentado pelo WhatsApp, em um pedido de ajuda para pesquisar o grupo Estado Islâmico e dizendo que tinham um amigo em comum. No entanto, ela não apareceu no encontro. Elizabeth acredita que possa ter caído numa armadilha.
Ao voltar para casa caminhando, foi abordada por um SUV preto com vários homens, que a forçaram a entrar no banco traseiro. Ela gritou por socorro e até tentou escapar, mas acabou espancada e abusada sexualmente. “Eles começaram a torcer meu dedo mindinho, quase o quebrando. Então pensei que resistir mais seria inútil”, afirmou.
Os primeiros momentos de tortura
Ela foi amarrada e colocaram um saco preto na cabeça dela ainda no trajeto que levaria ao cativeiro. Os criminosos também pegaram seu celular. Ela chegou depois de cerca de meia hora em uma casa grande, onde passaria os próximos quatro meses e meio em um quarto sem janelas, com duas câmeras, subnutrida e sozinha.
Segundo ela, os momentos mais terríveis foram os primeiros meses, quando sofreu espancamentos repetidamente. Ela foi algemada, pendurada no teto, espancada até perder a consciência e até choques elétricos ela recebeu.
Quando perdia a consciência, jogaram água em seu rosto para acordá-la e repetir a tortura. “Eles me chicotearam por todo o corpo. Basicamente, me usaram como saco de pancadas”, desabafa.
Tudo piorou quando descobriram que ela era israelense e a acusaram de ser uma espiã, o que ela nega veementemente. Ela pediu para que os sequestradores lessem as inúmeras postagens e artigos online em defesa dos direitos palestinos e criticando o governo israelense, mas isso não os convenceu.
Como ela não confessou, foi "enforcada e torturada". Então, passou a dar declarações falsas, e que não comprometesse os iraquianos, para escapar das agressões. Entre elas, afirmou ter se encontrado com um jornalista francês em um café de Bagdá dois anos antes para organizar protestos antigovernamentais.
Em julho de 2023, os sequestradores perguntaram a ela sobre seu serviço em Israel. Ela mentiu dizendo que havia trabalhado em um hospital, com medo que descobrissem que há duas décadas, ela foi uma recruta de baixo escalão na diretoria de inteligência militar.
Não adiantou. Elizabeth foi espancada repetidas vezes até que confessasse. “Este dente está faltando por causa disso”.
Libertação
Nesse mesmo mês, o governo israelense emitiu seu primeiro reconhecimento público de que Elizabeth havia sido sequestrada. Ela foi transferida para outro lugar um mês depois, onde passou a ser tratada por um enfermeiro, trouxeram livros, cadernos, uma TV e passou a ter acesso a um banheiro e uma cozinha. Apesar do confinamento solitário, não era mais agredida fisicamente.
Eles tentavam negociar o resgate dela por centenas de milhões de dólares, mas as autoridades americanas e israelenses não levavam as tratativas a sério. Somente em setembro deste ano, ela foi libertada.
Um homem se apresentou a ela como amigo de Donald Trump. Ele era Mark Savaya, fundamental para o resgate dela. Ele afirmou ter dito ao primeiro-ministro do Iraque, Mohammed Shia al-Sudani, que "precisamos resolver essa grande questão", e assim o fez.
Elizabeth tenta reconstruir sua vida, apesar das lesões físicas e psicológicas que carrega. “Acredito sinceramente que teria morrido se eles não tivessem se empenhado de forma tão consistente e com uma determinação tão incrível”, finalizou.