Irã intensifica ataques no Golfo Pérsico e provoca nova disparada do petróleo

Uma nova onda de ataques iranianos à infraestrutura petrolífera do Golfo Pérsico e a dois petroleiros fez o preço do petróleo voltar a subir nesta quinta-feira (12), apesar da mobilização de reservas estratégicas. Teerã ameaça com uma "guerra de desgaste" capaz de "destruir a economia" mundial.

12 mar 2026 - 06h18
(atualizado às 06h24)

Após um um recuo no início da semana, o preço do barril de petróleo voltou a ultrapassar os US$ 100 na manhã de quinta-feira, apesar da intervenção sem precedentes das grandes potências no mercado.

Petroleiros navegam no Golfo, perto do Estreito de Ormuz, vistos do norte de Ras al-Khaimah, próximo à fronteira com a província de Musandam, em Omã, em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, nos Emirados Árabes Unidos, em 11 de março de 2026.
Petroleiros navegam no Golfo, perto do Estreito de Ormuz, vistos do norte de Ras al-Khaimah, próximo à fronteira com a província de Musandam, em Omã, em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, nos Emirados Árabes Unidos, em 11 de março de 2026.
Foto: © Reuters / RFI

Os 32 países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) - incluindo os Estados Unidos - decidiram, na quarta-feira, liberar um recorde de 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas para aliviar as preocupações com o abastecimento. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, especificou que 172 milhões de barris seriam liberados "a partir da próxima semana".

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Mas, no décimo terceiro dia do conflito, os danos à infraestrutura petrolífera continuam se alastrando. O Bahrein denunciou um ataque iraniano contra tanques de armazenamento de hidrocarbonetos e alertou os moradores para que permaneçam em suas casas devido à fumaça proveniente do incêndio.

Em Omã, tanques de combustível no porto de Salalah também pegaram fogo no dia anterior após um ataque com drone, enquanto a Arábia Saudita relatou outro ataque com drone ao campo petrolífero de Shaybah, no leste do país, que já havia sido alvo nos últimos dias.

Os países do Golfo estão atualmente reduzindo sua produção de petróleo em pelo menos 10 milhões de barris por dia devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, afirmou a Agência Internacional de Energia (AIE) em um relatório divulgado na quinta-feira. De acordo com o documento, esta é "a maior interrupção" no fornecimento de petróleo da história.

O conflito, que começou em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel ao Irã, assumiu uma dimensão regional e ameaça o abastecimento global de petróleo, já que o tráfego está paralisado no Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica.

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Petroleiros atacados

Um ataque na quinta-feira, de origem ainda desconhecida, contra dois petroleiros no Golfo Pérsico, na costa do Iraque, matou ao menos uma pessoa, enquanto equipes de resgate procuram por vários desaparecidos, segundo a autoridade portuária.

Um navio porta-contêineres foi novamente atingido na quinta-feira por um "projétil desconhecido" ao largo da costa dos Emirados Árabes Unidos, causando um "pequeno incêndio" a bordo, segundo a Organização Marítima e de Transportes Britânica (UKMTO), depois de pelo menos três navios terem sido atingidos no dia anterior.

Donald Trump prometeu que uma "grande segurança" prevaleceria em breve no estreito, por onde normalmente passa um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL). Ele também afirmou que "28 navios que colocam minas" foram atingidos. Uma das principais preocupações da comunidade internacional é a possibilidade de o estreito ser minado.

"O Irã está perto da derrota", declarou o presidente dos EUA na noite de quarta-feira, após enviar sinais contraditórios sobre suas intenções durante o dia.

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Inicialmente, ele reiterou que a guerra terminaria "em breve", afirmando que "praticamente não havia mais nada para atacar" no Irã e que a "incursão" militar dos EUA estava "bem adiantada" em relação ao cronograma.

A primeira semana da guerra custou aos Estados Unidos mais de US$ 11 bilhões, segundo o New York Times, citando fontes do Congresso. Israel, que não estabeleceu "limites de tempo", afirma que ainda possui um "vasto conjunto de alvos".

Do outro lado, a Guarda Revolucionária Iraniana diz estar pronta para uma longa campanha para forçar Washington a recuar bombardeando interesses ocidentais.

Bancos e empresas de tecnologia como alvo

Ali Fadavi, um representante desse exército ideológico do Irã, brandiu a ameaça de uma "guerra de desgaste" capaz de "destruir a economia", "toda a economia americana" e "a economia global".

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O Exército iraniano afirmou, na quarta-feira, que agora pretende atacar "centros econômicos e bancos" no Golfo. A agência de notícias iraniana Tasnim citou empresas de tecnologia americanas como "alvos futuros" de Teerã, incluindo Amazon, Google, Microsoft, IBM, Oracle e Nvidia.

O banco americano Citi e as empresas de consultoria britânicas Deloitte e PwC retiraram empregados e fecharam seus escritórios em Dubai na quarta-feira, após as ameaças.

Os portos também podem se tornar alvo no conflito. Os militares dos EUA pediram, na quarta-feira, que civis iranianos se mantivessem afastados dos portos na região do Estreito de Ormuz, porque, se forem "usados para fins militares, perdem seu status de proteção".

Os militares iranianos responderam que, em caso de ataque, "todos os portos e docas da região se tornariam alvos legítimos".

Com AFP

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