Manifestantes matam enfermeiro que tratava pacientes com Ebola no Congo

26 out 2026 - 14h54
Resumo
Um enfermeiro veterano que tratava pacientes com Ebola foi assassinado por jovens em Bafwasende, no leste da República Democrática do Congo, em um ataque motivado por desinformação popular. A agressão deixou outro profissional ferido e forçou equipes de saúde a buscarem proteção policial e militar no hospital local. A violência reflete a grave hostilidade contra agentes de saúde na província de Tshopo, região que enfrenta um surto com quase 10 mil casos e taxa de letalidade de 48,6%.

Jovens mataram um enfermeiro veterano ‌que tratava pacientes com Ebola no leste do Congo e outros profissionais de saúde estavam abrigados sob proteção policial, informaram autoridades de saúde nesta segunda-feira, no mais recente de uma série de ataques alimentados por desinformação.

O enfermeiro trabalhava no hospital geral da cidade de ⁠Bafwasende, na província de Tshopo, onde procurava ajudar os moradores ‌a entender e se proteger do Ebola. Ele foi atacado e morto na sexta-feira.

Publicidade

"Estamos chocados com a forma como a população ‌se voltou contra esse enfermeiro. É ‌impossível acreditar que ele tenha sido confundido com um ⁠estranho", disse uma autoridade local de saúde à Reuters.

Um colega sobreviveu ao ataque e estava se recuperando no hospital, disse a autoridade. Outros profissionais de saúde estavam se refugiando no hospital geral sob proteção policial, com medo de voltar para casa, enquanto o ‌exército também foi mobilizado temporariamente para a área, acrescentou ele.

"Nenhum dos ‌enfermeiros tem dormido ⁠em casa porque ⁠temem pela própria segurança", acrescentou a autoridade.

Tshopo está entre as oito províncias ⁠do Congo que enfrentam um ‌surto de rápida disseminação ‌da cepa Bundibugyo do vírus Ebola. O instituto de saúde pública do Congo informou na sexta-feira um total de 9.964 casos confirmados, com uma taxa de letalidade de cerca de ⁠48,6% desde que o surto foi declarado em maio.

Publicidade

Os ataques a profissionais de saúde têm como alvo hospitais, veículos e equipes envolvidas na resposta ao Ebola, o que ressalta o desafio de construir confiança entre a ‌população.

A autoridade de saúde local disse que jovens da região já haviam atacado outro colega, incendiando sua casa, sem especificar a ⁠data desse incidente.

A Reuters já havia noticiado como a rápida disseminação de desinformação sobre saúde representava uma ameaça aos profissionais de saúde no leste do Congo, mesmo antes do Ebola começar a se espalhar, com vários deles sendo mortos em Tshopo após serem acusados de espalhar uma doença imaginária que causava atrofia dos órgãos genitais masculinos.

"O assassinato de um enfermeiro ontem em Bafwasende é uma perda para a resposta ao Ebola e uma perda ainda maior para os pacientes", afirmou Julien Harneis, coordenador sênior das Nações Unidas para o Ebola, em uma postagem no X no domingo.

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se