Líderes da França, Reino Unido, Suécia e Dinamarca consideraram inaceitáveis a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas alfandegárias a países europeus envolvidos no envio de um pequeno contigente de militares à Groenlândia. Trump tem aumentado a pressão para anexar a ilha, que pertence à Dinamarca.
O presidente da França, Emmanuel Macron, considerou neste sábado que as ameaças dos Estados Unidos de aplicar tarifas a vários países europeus até que Washington conclua a anexação da Groenlândia são "inaceitáveis".
"As ameaças tarifárias são inaceitáveis e não têm lugar neste contexto. Os europeus responderão de forma unida e coordenada (...). Faremos com que a soberania europeia seja respeitada", escreveu o presidente francês na rede X.
Por sua vez, o governo da Dinamarca expressou sua "surpresa" pelas ameaças feitas pelo presidente Donald Trump.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, considerou a medida equivocada e prometeu revertê-la.
O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, garantiu que seu país não cederá.
"Não nos deixaremos intimidar. Somente a Dinamarca e a Groenlândia decidem sobre assuntos que lhes dizem respeito. Sempre defenderei meu país e nossos vizinhos aliados", afirmou.
Mais cedo, Trump anunciou a imposição de tarifas progressivas sobre mercadorias de oito países europeus como forma de pressionar um acordo para a "compra completa e total"da Groenlândia.
As tarifas começam em 10% a partir de 1.º de fevereiro de 2026 e sobem para 25% em 1.º de junho, caso não haja avanço nas negociações.
Trump justificou a pressão econômica alegando riscos à segurança internacional. "A China e a Rússia querem a Groenlândia, e não há nada que a Dinamarca possa fazer a respeito", afirmou. Em tom irônico, disse que a proteção atual do território se resume a "dois trenós puxados por cães como proteção, sendo que um terceiro foi adicionado recentemente", e acrescentou que "somente os Estados Unidos da América, sob a presidência de Donald J. Trump, podem participar deste jogo, e com muito sucesso". /AFP