O papa Leão XIV revogou, por meio de um motu proprio que vigorará a partir de setembro de 2026, o corte salarial de 10% imposto aos cardeais da Cúria por Francisco em 2021. Criada para conter déficits agravados pela pandemia de Covid-19, a medida de austeridade também atingia outros dirigentes do Vaticano. Segundo o pontífice, a restrição pode ser superada diante do compromisso com a sustentabilidade econômica, cenário reforçado pelo superávit de 1,6 milhão de euros alcançado pela Santa Sé em 2024.
O papa Leão XIV revogou a redução de 10% nos salários dos cardeais da Cúria que havia sido imposta por seu antecessor, Francisco, em 2021, durante a pandemia de Covid-19.
A decisão está em um "motu proprio" assinado pelo pontífice americano em 1º de setembro e divulgado pelo Vaticano nesta segunda-feira (14).
"As medidas de contenção salarial adotadas pelo meu antecessor com a carta apostólica sob a forma de motu proprio 'Um Futuro Sustentável', de 23 de março de 2021, que também foram necessárias para enfrentar o desafio excepcional da pandemia, podem agora ser superadas, na certeza de que as instituições da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano continuarão, por diversos meios, no seu compromisso de garantir a sustentabilidade econômica", diz o texto.
O decreto de Francisco citado por Leão XIV usava como justificativas o déficit crônico nas contas da Santa Sé e o agravamento dessa situação pela pandemia para reduzir os salários de todos os cardeais em 10%, de chefes e secretários de dicastérios em 8% e de membros de institutos de vida consagrada ou sociedades de vida apostólica em 3%.
Além disso, o "motu proprio" de 2023 congelou os aumentos bienais de salários para dirigentes do Vaticano.
"Com efeitos a partir de 1º de setembro de 2026, a carta apostólica sob a forma de motu proprio 'Um Futuro Sustentável', de 23 de março de 2021, é revogada, sem prejuízo, contudo, dos efeitos produzidos durante o seu período de validade", afirma a decisão publicada por Leão XIV.
A Santa Sé registrou superávit de 1,6 milhão de euros (R$ 9,5 milhões) em 2024, ainda sob o pontificado de Francisco, (o balanço de 2025 ainda não foi divulgado), frente a um déficit de 51,2 milhões (R$ 302,7 milhões) no ano anterior. .