Leão 14, o primeiro papa norte-americano, surge como crítico incisivo de Trump

2 abr 2026 - 11h23

Em maio do ano ‌passado, o papa Leão 14 se tornou o primeiro líder norte-americano da Igreja Católica mundial, mas durante os primeiros 10 meses de seu mandato, ele evitou comentários sobre seu país natal e nunca mencionou publicamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Papa Leão 14 conversa com jornalistas em Castel Gandolfo, na Itália
31 de março de 2026 REUTERS/Remo Casilli
Papa Leão 14 conversa com jornalistas em Castel Gandolfo, na Itália 31 de março de 2026 REUTERS/Remo Casilli
Foto: Reuters

Essa era chegou ao fim.

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Nas últimas semanas, o papa surgiu como um ⁠crítico ferrenho da guerra do Irã. Ele mencionou Trump, pela primeira vez publicamente, na terça-feira, ‌em um apelo direto, pedindo ao presidente que acabe com o conflito em expansão.

É uma mudança significativa no tom e na abordagem que, segundo os especialistas, ‌indica que o papa quer servir como um ‌contrapeso no cenário mundial para Trump e seus objetivos de política externa.

"Não ⁠acho que ele queira que o Vaticano seja acusado de ser brando com o trumpismo por ser norte-americano", disse Massimo Faggioli, um acadêmico italiano que acompanha o Vaticano de perto.

Leão 14, conhecido por escolher suas palavras com cuidado, pediu a Trump que encontrasse uma "saída" para acabar com a guerra, usando um coloquialismo norte-americano que o ‌presidente e os funcionários do governo entenderiam.

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"Quando (Leão 14) fala, ele é sempre cuidadoso", disse ‌Faggioli, professor do Trinity ⁠College de Dublin. "Não acho ⁠que isso tenha sido um acidente."

O cardeal Blase Cupich, de Chicago, um aliado próximo de ⁠Leão 14, disse à Reuters que o ‌papa está assumindo o manto ‌de uma longa linhagem de pontífices que pediram aos líderes mundiais que se afastassem da guerra.

"O que é diferente... é a voz do mensageiro, pois agora os norte-americanos e todo o mundo de língua inglesa estão ouvindo ⁠a mensagem em um idioma familiar para eles", disse o cardeal.

DEUS REJEITA ORAÇÕES DE LÍDERES DE GUERRA

Dois dias antes de fazer um apelo direto a Trump, Leão 14 disse que Deus rejeitou as orações de líderes que iniciam guerras e têm "mãos cheias de sangue", em comentários excepcionalmente ‌vigorosos para um pontífice católico.

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Esses comentários foram interpretados por comentaristas católicos conservadores como sendo dirigidos ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que invocou a ⁠linguagem cristã para justificar os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã que iniciaram a guerra.

Eles também levaram a uma das primeiras respostas diretas do governo Trump a um comentário de Leão 14.

"Não acho que haja nada de errado com nossos líderes militares ou com o presidente conclamando o povo norte-americano a orar por nossas tropas em serviço", disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, quando perguntada sobre os comentários do papa.

Marie Dennis, ex-líder do movimento católico internacional pela paz Pax Christi, disse que os comentários mais recentes de Leão 14 e seu apelo direto a Trump "refletem um coração partido pela violência implacável".

"Ele está se dirigindo a todos os que estão exaustos por essa violência implacável e estão famintos por uma liderança corajosa", disse ela.

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