Itália rebate comentários de Rutte sobre uso de bases na guerra no Irã

'Autorizamos apenas voos americanos de logística', frisou Roma

24 jun 2026 - 13h39
(atualizado às 14h15)

A Itália criticou nesta quarta-feira (24) os comentários do secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, sobre a questão do uso de bases militares americanas em seu território durante a guerra com o Irã.

Declarações de Rutte criaram polêmica com Ministério da Defesa da Itália
Declarações de Rutte criaram polêmica com Ministério da Defesa da Itália
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Em entrevista à Fox News, Rutte comentou as reclamações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por não ter recebido apoio de aliados da Otan no conflito no Oriente Médio.

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"Compreendo perfeitamente a decepção, mas se tomarmos a Itália como exemplo, 500 aviões dos EUA decolaram de bases americanas na Itália para apoiar a operação Epic Fury [ofensiva militar dos EUA e Israel contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro]. Portanto, é um número enorme", declarou Rutte, acrescentando que em toda a Europa ocorreram "entre 4 mil e 5 mil missões de voo".

Em comunicado, o Ministério da Defesa italiano rebateu as palavras de Rutte.

"É surpreendente que o secretário-geral da Otan, que não tem nada a ver com a Operação Epic Fury, esteja oferecendo uma reconstrução que transmite uma mensagem completamente enganosa ao confundir os tipos de voos autorizados".

Segundo a pasta comandada por Guido Crosetto, "a Itália autorizou apenas os voos previstos nos tratados, que excluem completamente as atividades cinéticas [de combate real]".

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"Nas ocasiões em que foi feita uma solicitação que não se enquadrava nesse escopo, como é sabido, a Itália não concedeu autorização", reforçou o Ministério.

A autorização para qualquer uso das bases americanas para missões de combate tem de vir do governo dos países aliados, que, por sua vez, precisaria da aprovação de seu parlamento.

A porta-voz da Otan, Allison Hart, tentou amenizar a polêmica causada pelas declarações de Rutte ao afirmar que ele se referia à "logística ou apoio técnico".

De acordo com Hart, Rutte havia "destacado como os aliados, incluindo a Itália, executaram seus acordos bilaterais existentes no contexto de bases e sobrevoos".

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Posteriormente, o vice-premiê italiano e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, chamou o caso de "tempestade em copo d'água".

As declarações do chefe da Otan foram "uma tempestade em um copo d'água, porque já foi dito que a referência não era para voos de bombardeio, mas para reabastecimento e operações logísticas. Creio que Rutte disse o mesmo", comentou Tajani.

"Sempre respeitamos a Constituição e os tratados, tudo o que a Itália fez sempre foi feito em absoluta conformidade com as normas", concluiu o vice-premiê.

Nos últimos dias, Trump reacendeu o assunto para atacar publicamente a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, que rebateu os comentários. 

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