O Senado da Itália aprovou uma resolução que reafirma o apoio à Ucrânia e defende uma trégua imediata, com a premiê Giorgia Meloni sustentando que a paz não virá pela rendição. A decisão coincide com a liberação de 2,86 bilhões de euros pela União Europeia para a defesa ucraniana e ocorre após novos bombardeios russos contra a infraestrutura energética deixarem ao menos seis mortos e 600 mil pessoas sem eletricidade no país, ação criticada pelo presidente Volodymyr Zelensky.
O Senado da Itália aprovou nesta quarta-feira (14) uma resolução de apoio à Ucrânia que defende iniciativas diplomáticas concretas para alcançar uma trégua na guerra com a Rússia.
A votação ocorre em meio a divergências dentro do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni sobre a continuidade do apoio a Kiev. A resolução, apresentada pela coalizão de centro-direita, recebeu 108 votos favoráveis, um contrário e duas abstenções.
Os partidos de oposição não participaram da votação em protesto contra o procedimento adotado pela maioria, que apresentou dois documentos separados sobre os temas da próxima reunião do Conselho Europeu.
O texto insta o governo italiano a apoiar os esforços da União Europeia (UE) para promover iniciativas diplomáticas que permitam uma trégua imediata nos ataques à infraestrutura energética dos dois países, com o objetivo de proteger a população civil.
Durante seu pronunciamento no Senado, Meloni afirmou que a paz não pode ser alcançada por meio da rendição de quem defende a própria liberdade.
"Apenas uma paz justa pode perdurar e salvaguardar a Europa e os nossos interesses", declarou Meloni, que também reiterou que o apoio a Kiev, a pressão sobre Moscou e a unidade euro-atlântica continuam sendo pilares da atuação italiana.
Paralelamente, a União Europeia anunciou a liberação de 2,86 bilhões de euros para a Ucrânia, como parte de um pacote de 90 bilhões de euros destinado ao país.
Os recursos deverão financiar a aquisição de drones, sistemas de defesa aérea, mísseis, radares, equipamentos de guerra eletrônica e munições.
A continuidade do apoio financeiro em 2027, porém, ainda está em avaliação. Segundo uma fonte do bloco europeu, as necessidades da Ucrânia estão sendo analisadas para 2026 e para o ano seguinte. Uma avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI), prevista para novembro, deverá contribuir para consolidar as projeções.
Na madrugada desta quarta-feira, um novo ataque russo em larga escala deixou pelo menos seis mortos e diversos feridos na Ucrânia. A ofensiva também provocou interrupções no fornecimento de energia elétrica, deixando ao menos 600 mil pessoas sem eletricidade em diferentes regiões do país.
De acordo com o balanço oficial ucraniano, entre as vítimas estão três mulheres de 35, 58 e 84 anos. O Ministério da Defesa russo confirmou ataques contra seis centrais elétricas nas regiões de Kiev e Kharkiv.
Por sua vez, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou a ofensiva como uma demonstração de "falta de respeito com os EUA", em referência ao anúncio de uma trégua feito pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
Zelensky também agradeceu a Meloni pelo apoio italiano e por sua posição. Segundo ele, a premiê demonstra uma postura clara sobre a identificação do agressor e a necessidade de construir uma paz digna e duradoura.
Em seu discurso no Senado, a premiê italiana também respondeu às críticas da oposição sobre os gastos com defesa.
Meloni afirmou que os mesmos grupos políticos que agora questionam as despesas militares aprovaram, quando estavam no governo, um aumento de aproximadamente 15 bilhões de euros durante a pandemia de Covid-19.
"E, naquela época, nem havia guerra na Ucrânia", afirmou ela, que rejeitou a classificação de seu "governo como belicista".