O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, defendeu a decisão do governo de Giorgia Meloni de participar como "observador" do controverso Conselho de Paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a Faixa de Gaza.
Inicialmente, o país havia sido convidado para integrar o organismo como membro fundador, porém Meloni hesitou em aderir à iniciativa diante de possíveis incompatibilidades com a Constituição italiana, que proíbe a concessão de pedaços da soberania nacional sem condições de igualdade com outros Estados.
De acordo com Tajani, é "oportuno" participar do conselho, ainda que de outra maneira. "Queremos ser protagonistas, mas como observadores, assim como será a Comissão Europeia", declarou o ministro durante uma coletiva de imprensa em Roma nesta segunda-feira (16).
"Fazemos isso porque já demos muito para Gaza e continuaremos dando, estamos entre os países que mais deram", salientou o chanceler, que deve participar de uma audiência sobre o assunto nesta terça (17), no Senado, diante das críticas da oposição sobre a postura do governo.
"A Itália será a única nação da Europa ocidental e do G7 no Conselho de Paz de Trump. É o enésimo ato de subserviência de Meloni, que degrada a Itália como vassala dos Estados Unidos", disse o partido antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S). Uma fonte do governo da Alemanha confirmou à ANSA que o chanceler Friedrich Merz não irá a Washington para a reunião inaugural da iniciativa, na próxima quinta (19).
O Conselho de Paz tem como objetivo inicial monitorar a governança e a reconstrução da Faixa de Gaza, porém, segundo a Casa Branca, também pode se estender a outros locais de conflito, o que levantou preocupações de que Trump estaria tentando criar uma espécie de ONU paralela.
O magnata republicano será presidente vitalício desse colegiado, com poder de veto.