Israel vai intensificar verificações em  pilotos após susto com voo da flydubai

30 set 2026 - 18h46
Resumo
Israel intensificará a checagem de segurança de pilotos de companhias aéreas nacionais e estrangeiras que voam para o país. A decisão ocorre após o copiloto de um voo da flydubai, que ia dos Emirados Árabes a Tel Aviv com 174 passageiros, esfaquear o comandante e tentar derrubar o avião. O agressor foi contido por tripulantes e viajantes, permitindo um pouso seguro na Arábia Saudita, onde ele acabou detido. O caso reacende discussões globais sobre os protocolos de avaliação e triagem de tripulações.

Israel deve intensificar as verificações de segurança em pilotos que ‌voam para o país, afirmou um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro, após a notícia de que um copiloto de um voo da flydubai com destino a Tel Aviv teria esfaqueado o piloto e tentado fazer o avião cair.

O dramático incidente só foi contido depois que os passageiros ajudaram a imobilizar o copiloto, antes que outros pilotos de plantão da companhia aérea a bordo pousassem a aeronave com segurança na Arábia Saudita. A companhia aérea estatal de Dubai alertou contra "especulações prematuras" e afirmou que muitos detalhes ainda não estavam ⁠esclarecidos.

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As autoridades sauditas prenderam e interrogaram o copiloto do voo FZ1073 da flydubai, que partiu dos Emirados Árabes Unidos com destino a Israel ‌e transportava 174 pessoas, quase todas israelenses, afirmou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

O incidente intensificou as questões sobre como os pilotos são avaliados e a que tipos de protocolos de segurança estão sujeitos, incluindo, mas não se limitando ao Oriente Médio, segundo autoridades governamentais e ‌analistas da aviação.

O governo de Israel frequentemente exorta israelenses e judeus a permanecerem ‌vigilantes ao viajar para fora de Israel, em meio a preocupações de que possam ser alvos de ataques. Isso ocorre ⁠em um momento em que o antissemitismo tem crescido globalmente nos últimos anos, incluindo ataques violentos e, às vezes, mortais contra judeus. Até o momento, porém, nenhum motivo foi apresentado para o incidente envolvendo a flydubai.

"Cada piloto que for voar para Israel, vamos conhecer a identidade dos pilotos, saber quem eles são e realizar algum tipo de verificação de segurança", disse Doron Spielman, porta-voz do gabinete do primeiro-ministro israelense, à Reuters.

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Ele disse que Netanyahu instruiu as autoridades a "reforçar a segurança" nos voos para Israel operados por companhias aéreas israelenses e ‌estrangeiras.

"Onde quer que um israelense esteja voando para Israel. Nossa tarefa agora é fazer o nosso melhor — mesmo que não sejam companhias aéreas israelenses — ‌para garantir que esses procedimentos de segurança sejam ⁠muito mais rigorosos", disse Spielman.

O órgão ⁠regulador da aviação civil dos Emirados Árabes Unidos, a GCAA, não respondeu a um pedido da Reuters para comentar sobre como seus pilotos são ⁠avaliados.

Netanyahu identificou o piloto que foi atacado como o capitão Smit Machchhar, cidadão ‌indiano. Ele disse que, apesar de ter ‌sido "esfaqueado e gravemente ferido", Machchhar reagiu e abriu a porta da cabine, permitindo que passageiros e tripulantes dominassem o agressor.

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AVALIAÇÃO DE PILOTOS FICOU MAIS RIGOROSA APÓS O 11 DE SETEMBRO

Os pilotos têm passado por rigorosas verificações de segurança, especialmente desde os ataques de 11 de setembro em Nova York, há 25 anos, disseram especialistas à Reuters.

"Todo piloto passa por extensas verificações de ⁠antecedentes, além de avaliações médicas e psicológicas contínuas", disse Philip Baum, professor visitante de segurança da aviação na Universidade de Coventry, no Reino Unido.

Cada país e companhia aérea é responsável por implementar os padrões de triagem e segurança estabelecidos pela Organização da Aviação Civil Internacional, mas há flexibilidade na forma como esses padrões são interpretados, disseram especialistas à Reuters.

Dois pilotos que trabalham no Oriente Médio, mas não para a flydubai, disseram à Reuters que os pilotos precisam passar ‌pelas mesmas verificações de segurança que os passageiros, o que significa que não poderiam levar armas, como facas ou revólveres, a bordo.

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"A responsabilidade é sempre da companhia aérea", disse Eric Schouten, diretor da consultoria de inteligência aeronáutica Dyami.

"A companhia aérea precisa realizar ⁠uma verificação adequada, de acordo com as diretrizes nacionais, sobre quem está na cabine de comando, e cada país faz isso de maneira diferente."

A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (Easa) informou à Reuters que a certificação e a supervisão de segurança da flydubai são de competência da GCAA. "Isso inclui a responsabilidade de garantir que a operadora cumpra os requisitos aplicáveis relativos às tripulações de voo e à sua aptidão para voar", afirmou a Easa.

A Reuters não conseguiu determinar qual arma foi usada pelo piloto para esfaquear o outro. Passageiros a bordo do voo relataram que um homem segurava uma faca enquanto um dos pilotos estava ensanguentado. Um piloto que voava na região, mas não pela flydubai, disse à Reuters que os pilotos podem ter acesso a facas de metal do serviço de refeições ou a um machado de emergência disponível na maioria das cabines de comando.

Spielman disse que Israel já possui algumas das verificações de segurança mais rigorosas, e que estas só tendem a se tornar ainda mais rigorosas.

"Esta é uma oportunidade para todos acordarem. Israel tem as verificações de segurança mais minuciosas do mundo, e elas existem por um motivo. Elas existem para que um incidente como este não ocorra", disse ele.

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