As Forças de Defesa de Israel (IDF) interceptaram uma nova expedição da Flotilha Global Sumud com ajuda humanitária à Faixa de Gaza, em uma operação militar realizada em águas internacionais, perto da ilha de Creta, na Grécia.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores israelense, 22 das 58 embarcações da missão foram interceptadas, e pelo menos 211 ativistas acabaram presos, incluindo 24 cidadãos italianos.
Os integrantes da flotilha foram colocados em navios da Marinha de Israel e estão sendo levados para o porto de Ashdod, onde serão submetidos a processos de deportação.
Os outros barcos da expedição, que reúne mais de 400 ativistas, teriam mudado a rota para outros destinos. "As ações de Israel marcam uma escalada perigosa e sem precedentes: o sequestro de civis em pleno Mediterrâneo, a mais de 960 quilômetros de Gaza, sob os olhos do mundo inteiro", disse a Flotilha Global Sumud em um comunicado.
"Que fique claro do que se trata: pirataria", acrescentou a entidade, ressaltando que "nenhum Estado tem direito de reivindicar, controlar ou ocupar águas internacionais".
"Os governos devem agir agora para proteger a flotilha e responsabilizar Israel por essas flagrantes violações do direito internacional e pelo genocídio em curso contra o povo palestino", salientou.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do país judeu acusou, sem apresentar provas, o Hamas de estar por trás da Flotilha Global Sumud, que já havia realizado outras tentativas frustradas de furar o bloqueio naval em Gaza no ano passado.
"A força motriz da provocação da flotilha é o Hamas, em colaboração com provocadores profissionais, com o objetivo de sabotar a transição para a segunda fase do plano de paz de Trump", disse a chancelaria, acrescentando que a operação foi realizada "em conformidade com o direito internacional".
Mas a interceptação vem sendo criticada, sobretudo por ter ocorrido em águas internacionais, fora da área sob jurisdição de Israel. "O ataque perpetrado pelas forças israelenses contra a Flotilha Global Sumud, organizada para entregar ajuda humanitária em Gaza, constitui um ato de pirataria", afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Turquia, que cobrou uma "posição unitária" do mundo contra uma "ação ilícita".
Já o poder Executivo da União Europeia declarou que "a liberdade de navegação deve ser respeitada". "Convidamos e reiteramos o apelo para que Israel respeite o direito internacional, incluindo o direito internacional humanitário e o direito marítimo internacional, que é muito claro", disse o porta-voz da Comissão Europeia para Relações Exteriores, Anouar El Anouni. .