O governo de Israel disse nesta quinta-feira (26/3) que matou o comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), Alireza Tangsiri.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que Tangsiri era "diretamente responsável pelo ato terrorista de bombardear e bloquear o Estreito de Ormuz" e que foi "eliminado por uma explosão".
Segundo Katz, vários outros "altos oficiais do comando da Marinha" também foram mortos.
O Irã não se manifestou sobre a informação dada pelo governo israelense.
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a morte de Tangsiri é "mais um exemplo da cooperação" entre Israel e os EUA, enquanto a guerra com o Irã continua. Em uma mensagem de vídeo em hebraico, o premiê disse que Israel continua "atacando com força" alvos em todo o Irã.
"Este homem tinha muito sangue nas mãos", disse Netanyahu.
Alireza Tangsiri foi nomeado comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica em 2018. Anteriormente, ele havia servido como vice-comandante da Marinha da IRGC desde 2010.
Uma conta no Google atribuída a ele está ativa desde 10 de março deste ano, com publicações citadas por veículos de imprensa iranianos. Nessas publicações, ele fez diversas declarações sobre o Estreito de Ormuz. Na conta, ele afirma que "nenhuma embarcação associada aos agressores contra o Irã tem o direito de passar por ali".
Tangsiri é um considerado um oficial polêmico, tendo feito diversas declarações contra os EUA e Israel no passado. Em 2019, ele ameaçou fechar o Estreito de Ormuz caso as exportações de petróleo do Irã fossem interrompidas.
Ele foi sancionado pelo Departamento do Tesouro dos EUA, juntamente com outros comandantes da IRGC, em 2019, após o Irã abater um drone de vigilância americano próximo ao estreito.
Nesta quinta-feira, o presidente americano, Donald Trump, publicou nas redes sociais uma nova crítica aos aliados da Otan, afirmando que eles "não fizeram absolutamente nada para ajudar" os EUA na situação no Irã.
Ele disse que os EUA "não precisam de nada da Otan", mas acrescentou que este "momento crucial" jamais deve ser esquecido.
Em outra publicação nas redes sociais nesta quinta, Trump voltou a falar sobre as negociações com o Irã. Ele classificou os negociadores iranianos como "muito diferentes" e "estranhos".
Ele disse que eles estão "implorando" aos EUA por um acordo, acrescentando que suas forças armadas foram "aniquiladas" e que não há "nenhuma chance de recuperação".
"No entanto, eles declaram publicamente que estão apenas 'analisando nossa proposta'. ERRADO!!!", escreveu ele no Truth Social.
"É melhor que levem isso a sério logo, antes que seja tarde demais, porque quando isso acontecer, NÃO HAVERÁ VOLTA, e não será bonito!", acrescentou.
Incerteza sobre negociações
Na quarta-feira, Trump voltou a dizer que o Irã "deseja muito fechar um acordo" de cessar-fogo com os americanos — apesar de nova manifestação do governo iraniano de que não há negociações em curso entre as duas partes.
Trump disse, durante um encontro do partido Republicano em Washington, que os líderes do Irã "têm medo de dizer" que estão negociando com os EUA "porque acham que serão mortos pelo próprio povo".
"Eles também têm medo de serem mortos por nós", disse Trump.
Trump disse que a guerra no Oriente Médio é uma "operação militar".
"Eles não gostam da palavra guerra porque você precisa da aprovação [do Congresso dos EUA]. Então, vou usar a expressão operação militar, que é realmente o que é."
Segundo Trump, as mudanças nos preços do petróleo são de curto prazo, insistindo que os EUA tiveram que "extirpar o câncer". O presidente americano afirmou que os EUA estão "dizimando" o Irã e que o governo de Teerã usaria uma arma nuclear contra os EUA "sem hesitar".
"O câncer era o Irã com uma arma nuclear. Nós o extirpamos agora. Vamos acabar com isso", disse o presidente.
No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, havia dito, durante entrevista à televisão estatal, que os Estados Unidos vêm enviando mensagens ao país "há vários dias" por meio de diferentes intermediários.
Segundo ele, embora essas mensagens tenham sido "transmitidas por meio de países considerados amigos", isso não caracteriza "diálogo, negociação ou qualquer coisa do tipo".
Araghchi disse que o Irã tem respondido com "posições e advertências" e que, por ora, a política do país é continuar "se defendendo". Ele também afirmou "que não tem intenção de negociar neste momento".
"Esta é a guerra de Israel e os povos da região e dos EUA estão pagando o preço por isso", acrescentou.
Proposta rejeitada pelo Irã, segundo imprensa estatal
Também na quarta-feira, a emissora estatal iraniana PressTV informou que o Irã havia rejeitado uma proposta dos EUA para encerrar a guerra atual.
A PressTV reproduziu as declarações de uma autoridade do país, sem identificá-la: "O Irã encerrará a guerra quando decidir fazê-lo e quando suas próprias condições forem atendidas".
Autoridades iranianas têm repetido que desejam um fim completo da guerra, não apenas um cessar-fogo.
Segundo a Press TV, a autoridade apresentou cinco condições: uma interrupção total da "agressão e das ações de assassinato" pelo inimigo; o estabelecimento de mecanismos concretos para garantir que a guerra não seja novamente imposta à República Islâmica; pagamento garantido e claramente definido de danos e reparações de guerra; o fim da guerra em todas as frentes e para todos os grupos de resistência envolvidos em toda a região e o reconhecimento e garantias internacionais sobre o direito soberano do Irã de exercer autoridade sobre o Estreito de Ormuz.
A Press TV afirma que Washington vem buscando negociações por diversos canais diplomáticos, mas Teerã considera as propostas "excessivas".
Um porta-voz das Forças Armadas do Irã disse mais cedo que os EUA estão "negociando consigo mesmos" e que "alguém como nós jamais chegará a um acordo com alguém como vocês".
O comentário foi feito por Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã, o principal comando militar do país. Sem mencionar diretamente os EUA e o presidente americano, Donald Trump, ele disse: "Não chamem sua derrota de acordo".
"O nível do seu conflito interno chegou ao ponto em que vocês estão negociando consigo mesmos?", disse Zolfaghari em uma mensagem de vídeo publicada por veículos de comunicação iranianos.
"Vocês não verão seus investimentos na região nem os preços anteriores da energia e do petróleo novamente, até que entendam que a estabilidade na região é garantida pela mão poderosa de nossas forças armadas. A estabilidade vem da força", disse Zolfaghari.
"Alguém como nós jamais fará um acordo com alguém como vocês. Nem agora, nem nunca".
Os comentários surgiram depois de Donald Trump insistir que o Irã "quer muito" um acordo no dia anterior.
"Eles nos deram um presente, e o presente chegou hoje, e era um presente muito grande, que vale uma quantia enorme de dinheiro", disse Trump na terça-feira em entrevista coletiva à imprensa na Casa Branca.
Trump não disse o que seria esse presente — apenas afirmou que se trata de algo não nuclear, mas sim "relacionado a petróleo e gás".
O presidente americano disse que os EUA estão conversando com "as pessoas certas" no Irã para chegar a um acordo. "Estamos em negociações agora", disse ele, sem fornecer detalhes.
Depois de dias de questionamentos, o Pentágono confirmou oficialmente o envio de algumas tropas terrestres para a região.
Em um comunicado à BBC, um porta-voz afirmou que alguns elementos do quartel-general da 82ª Divisão Aerotransportada, alguns "apoios divisionais" e a 1ª Brigada de Combate serão enviados ao Oriente Médio.
Por razões de segurança, o porta-voz não forneceu mais detalhes.
A composição dessas unidades revela muito sobre as capacidades que estão sendo mobilizadas para possível uso no conflito.
Com base na Carolina do Norte, a 82ª Divisão Aerotransportada é considerada uma das principais unidades convencionais de combate das Forças Armadas dos EUA, com alguns elementos sempre prontos para serem enviados a qualquer lugar do mundo em até 18 horas.
Essas tropas são treinadas para saltar de paraquedas ou chegar de helicóptero a uma área-alvo e tomá-la. No caso do Irã, elas poderiam oferecer aos EUA a opção de capturar a Ilha de Kharg ou outro território estratégico.
A ilha abriga instalações de armazenamento e carregamento de petróleo e responde por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã. Ex-funcionários da defesa dos EUA e especialistas militares disseram à BBC que tropas americanas provavelmente conseguiriam assumir o controle da pequena ilha com facilidade.
Especialistas militares dizem que um possível envio provavelmente se concentraria em aumentar a pressão sobre o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. O Irã começou a atacar petroleiros comerciais que utilizam o estreito depois que os EUA iniciaram a guerra no mês passado.
Plano de 15 pontos dos EUA
No fim de semana, Trump havia ameaçado aniquilar as "diversas usinas de energia do Irã, começando pela maior", dando ao país 48 horas para permitir a retomada da navegação no Estreito de Ormuz.
Mas na segunda-feira, pouco antes do final do prazo, Trump anunciou que o Irã havia retornado à mesa de negociações, e adiou sua ameaça de bombardeio por cinco dias. Mas o Irã negou que estivessem ocorrendo negociações.
No dia seguinte, Trump disse ter enviado um plano de 15 pontos ao Irã para negociar um cessar-fogo.
A agência de notícias Associated Press noticiou nesta quarta-feira que o Irã teria recebido o plano dos EUA, citando duas autoridades do Paquistão.
Segundo os oficiais paquistaneses, a proposta americana abrange pontos como alívio das sanções, cooperação nuclear civil, reversão do programa nuclear iraniano, monitoramento pela Agência Internacional de Energia Atômica e limites para mísseis e acesso para navegação pelo Estreito de Ormuz.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, já disse em outras ocasiões que o seu país está "pronto" para sediar negociações para um acordo sobre o conflito.
Em Israel, o ministro da Economia do país, Nir Barkat, disse à BBC ser improvável que o Irã concorde com o plano de 15 pontos supostamente apresentado pelo governo americano. Segundo o ministro, o plano é "bonito no papel", mas precisa de garantias para ser implementado.
O regime iraniano "não vai mudar", disse ele, e os principais objetivos de Israel para a guerra eram deixar o Irã "sem armas nucleares, sem mísseis e sem aliados".
"Confio que o presidente Trump e o primeiro-ministro Netanyahu estejam alinhados nesses objetivos e os alcançaremos de uma forma ou de outra", disse Barkat. "Por um lado, talvez Trump esteja abrindo discussões, mas ele também está enviando tropas para a região e, basicamente, dizendo ao povo iraniano que estamos falando sério."
"Acredito que, ao final desta rodada, alcançaremos os objetivos, com ou sem acordo."
Ele não confirmou se Israel e EUA estão alinhados em relação ao plano de 15 pontos.