O Ministério das Relações Exteriores do Irã negou as informações de que equipes técnicas iranianas e americanas se encontrariam nos próximos dias para discutir a implementação do acordo de cessar-fogo no Oriente Médio, contradizendo declarações de autoridades dos Estados Unidos.
"Não estão previstos encontros técnicos dos grupos de trabalho para esta semana", afirmou o vice-chanceler Kazem Gharibabadi, citado pela televisão estatal de Teerã.
No último domingo (28), o site Axios havia reportado, citando um alto funcionário americano, que Estados Unidos e Irã tinham concordado em suspender os ataques mútuos no Estreito de Ormuz e realizar um encontro na terça-feira (30), em Doha, no Catar.
"Decidimos suspender toda atividade cinética", disse o funcionário, usando terminologia militar para ataques e ações bélicas.
Um segundo funcionário americano afirmou ao Axios que ambas as partes suspenderiam as hostilidades "por enquanto" e que "as embarcações poderiam se mover livremente" no estreito, enquanto os diálogos técnicos prosseguissem.
A troca de hostilidades começou após os EUA acusarem o Irã de lançar drones contra navios mercantis no Estreito de Ormuz. Em represália, Washington bombardeou estruturas militares da República Islâmica, que reagiu com ataques contra alvos americanos no Oriente Médio.
As agressões levantam novas dúvidas sobre o futuro do acordo preliminar assinado por Washington e Teerã, enquanto negociadores tentam concluir um pacto definitivo dentro de 60 dias para colocar um ponto final na guerra iniciada por EUA e Israel em 28 de fevereiro.
O memorando firmado há quase duas semanas prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, rota crucial para o escoamento da produção de petróleo e gás do Golfo Pérsico, porém o Irã alertou que navios só podem transitar pela via mediante autorização e utilizando rotas pré-determinadas.