O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, advertiu na quinta-feira contra qualquer ação provocadora dos agressores e de seus apoiadores, inclusive no Conselho de Segurança da ONU em relação ao bloqueio no Estreito de Ormuz. De acordo com comunicado do ministério, o uso da força para liberar a passagem marítima "só tornará a situação ainda mais complicada".
O projeto de resolução apresentado pelo Bahrein para desbloquear o estreito está em discussão entre os 15 membros do Conselho de Segurança há dez dias. A versão mais recente pede autorização para que qualquer Estado ou coalizão de Estados utilize meios defensivos a fim de garantir a segurança dos navios.
A votação, prevista inicialmente para esta sexta-feira (3), foi adiada para sábado devido ao feriado da Semana Santa. Apesar da inclusão do termo defensivo, o projeto divide o Conselho de Segurança. Fontes diplomáticas afirmam que Rússia e China, que possuem direito de veto, têm fortes objeções ao texto.
Uso da força?
Na quinta-feira (2), os países do Golfo reforçaram seu apelo. O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo pediu que a ONU dê sinal verde ao uso da força para liberar a passagem marítima. O órgão reúne Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar, Kuwait e Omã.
Jassem Al‑Budaiwi afirmou em Nova York, antes do anúncio do adiamento da votação, que "é necessário que o Conselho de Segurança assuma plenamente suas responsabilidades e adote todas as medidas necessárias para proteger os corredores marítimos e garantir a continuidade segura da navegação internacional".
O Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o mercado global de hidrocarbonetos, está praticamente bloqueado pelo Irã em reação ao ataque americano-israelense contra seu território em 28 de fevereiro.
Mais de 40 países pedem reabertura imediata
Cerca de 40 países pediram a reabertura "imediata e incondicional" do Estreito de Ormuz na quinta-feira, após uma reunião virtual organizada pelo Reino Unido. A ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, afirmou que o Irã está tentando fazer, com o bloqueio, a economia mundial de refém. Ela disse que os países concordaram em estudar a possibilidade de adotar "medidas econômicas e políticas, como sanções", contra Teerã.
A reunião ocorreu sob pressão de Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos instou os países dependentes do transporte marítimo no estreito a se mobilizarem para garantir a liberação da passagem. Ele declarou que só considerará um cessar-fogo no conflito quando o estreito estiver livre e desimpedido.
A declaração do presidente americano foi interpretada como uma reação à posição da França. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores francês afirmou que garantir a segurança no Estreito de Ormuz só seria possível quando a fase intensa dos bombardeios tivesse terminado.
Estreito fechado "só para inimigos"
A Guarda Revolucionária, braço ideológico das forças armadas iranianas, declarou que o estreito permanecerá fechado aos inimigos do país. Um quinto das exportações de petróleo do mundo passa por Ormuz, e a paralisação quase total do tráfego marítimo desde o início do conflito provocou forte alta nos preços dos hidrocarbonetos, com impacto econômico global.
Representantes da Itália, dos Países Baixos e dos Emirados Árabes Unidos manifestaram a necessidade de criar rapidamente um corredor humanitário no estreito. Segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores italiano, a prioridade é garantir o transporte de fertilizantes e de todos os insumos necessários para evitar uma nova crise alimentar, especialmente em países africanos.
A China afirmou que os "ataques ilegais" dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã são a principal causa do bloqueio do Estreito de Ormuz.
Com AFP