Imprensa internacional repercute protestos da diáspora iraniana: 'Maior massacre da história do Irã'

A imprensa internacional registrou, nesta quarta-feira (14), os protestos da diáspora iraniana pelo mundo em resposta à violência das forças militares do regime, que já matou pelo menos 2.571 manifestantes, segundo estimativas da ONG HRANA. Depois que Donald Trump incentivou, na terça-feira (13), os manifestantes iranianos a continuarem seu movimento até derrubarem as autoridades, houve aglomerações em várias cidades de vários países.

14 jan 2026 - 09h46

Dentro do Irã, manifestações que começaram nas ruas de Teerã se espalharam para diversas cidades e repercutiram também entre comunidades iranianas no exterior, apesar da repressão brutal e de apagões de comunicação que dificultam a divulgação de informações. Houve atos na Itália — em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Roma e ao consulado americano em Milão — além de registros recentes de protestos na Alemanha, no Reino Unido, na Suíça e no Canadá. No fim de semana, houve movimentos de apoio à população iraniana também na França.

Na Itália, pessoas participam de uma manifestação em apoio aos protestos nacionais no Irã, em Roma, 13 de janeiro de 2026.
Na Itália, pessoas participam de uma manifestação em apoio aos protestos nacionais no Irã, em Roma, 13 de janeiro de 2026.
Foto: REUTERS - FRANCESCO FOTIA / RFI

O britânico The Guardian publicou imagens de manifestantes queimando fotos do aiatolá Ali Khamenei durante um ato em apoio à resistência iraniana em Whitehall, no centro de Londres. No mesmo protesto, ativistas exibiram a bandeira iraniana pré-1979 — com o leão e o sol — e o estandarte imperial.

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Em uma galeria fotográfica, o portal britânico também destacou a mobilização diante da embaixada iraniana em Berlim e registrou, em Toronto, um manifestante usando um boné com a frase "Make Iran Great Again", em referência ao slogan de Trump, em solidariedade aos manifestantes no Irã.

Iranianos e apoiadores da resistência iraniana se manifestaram no consulado dos EUA em Milão e em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Roma na quarta-feira. O jornal italiano La Stampa falou com a ativista Parisa Nazari, membro da diáspora iraniana em Roma, sobre os protestos em curso em seu país de origem e a repressão do regime. "Jamais vimos uma violência como a destes dias. Lembra novembro de 2019, quando mais de 1.500 manifestantes foram mortos", comentou ao jornal. "Quem saiu às ruas espera que desta vez o mundo não tolere mais a República Islâmica, que se tornou um câncer que precisa ser removido. A esperança é que o povo iraniano consiga vencer por conta própria", continuou.

Imprensa francesa repercute

A escalada de violência também domina a cobertura na França. O ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, afirmou à rádio RTL que a repressão atual pode ser "a mais violenta da história contemporânea do Irã", pedindo que ela cesse "imediatamente".

O jornal Le Figaro descreveu o episódio como "o maior massacre da história contemporânea do Irã", citando informações da rede iraniana de oposição Iran International. Segundo a emissora, a ordem para o uso de munição real teria sido aprovada pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional com o aval do líder supremo Ali Khamenei.

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O jornal também publica depoimentos recebidos via rede de satélites Starlink, a única e rara conexão ainda utilizada no país, para descrever o massacre que ocorre a portas fechadas, após o corte das comunicações pelo regime há sete dias. "O regime mata sem piedade. A comunidade internacional não pode fechar os olhos", diz uma moradora de Teerã à reportagem do Figaro. Outra testemunha denuncia que as autoridades iranianas exigiram um valor equivalente a mais de R$ 60 mil para recuperar o corpo de um parente. Segundo esses testemunhos, a guarda iraniana atira para o alto para impedir as pessoas de saírem de casa para protestar.

Diversas reportagens na imprensa francesa calculam que o número de vítimas seja ainda maior do que os 2.571 mortos, incluindo 2.403 manifestantes e 147 pessoas ligadas ao governo, informados nesta quarta-feira (14) pela organização de direitos humanos HRANA, sediada nos Estados Unidos. O jornal Libération destaca reações de diversos países europeus, entre eles a França e o Reino Unido, que consideram os ataques sobre a população pacífica como "intoleráveis, insuportáveis e desumanos". 

O jornal Le Monde comenta a enorme demonstração de força organizada pela República Islâmica, na segunda-feira (12), quando aliados do regime saíram às ruas na tentativa de abafar a contestação e "impedir os planos do inimigo estrangeiro", segundo as palavras do líder supremo iraniano. 

Na reportagem do La Croix, moradores falam sobre a repressão violenta: "Eles atiram diretamente sobre os manifestantes", declarou um iraniano em vídeo divulgado pela BBC em persa, citado pelo jornal. Segundo o canal baseado em Londres, as ligações telefônicas internacionais foram restabelecidas na terça-feira (13), mas "para os 92 milhões de iranianos, nada parece deter a repressão feroz das forças do regime".  

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