Os rebeldes houthis negaram estar em guerra com a Itália após atingirem um caça italiano em uma base na Arábia Saudita, sem causar feridos. O ataque soma-se a recentes ofensivas contra instalações petrolíferas sauditas e a confrontos que deixaram 48 mortos no Iêmen. Diante da escalada, o Conselho de Segurança da ONU condenou veementemente as ações dos houthis, enquanto o Irã defendeu que a segurança do Oriente Médio seja negociada regionalmente, sem interferência militar estrangeira.
Os rebeldes houthis, grupo apoiado pelo Irã que controla a capital do Iêmen, afirmaram neste sábado (19) que não está em guerra com a Itália e que não pretende envolver o país europeu no conflito.
A declaração foi dada um dia após um caça Eurofighter da Força Aérea Italiana ter sido atingido durante um ataque à base de Ta'if, na Arábia Saudita.
"Não estamos em guerra com a Itália e não pretendemos envolver o seu país. Mas nos perguntamos o que as aeronaves italianas estão fazendo na Arábia Saudita, apoiando a guerra de Riad contra nós", disse à ANSA Muhammad Mansur, funcionário do Ministério da Informação do governo houthi em Sanaa.
Segundo Mansur, os houthis consideram suas ações uma "resistência armada legítima" diante do que classificam como uma prolongada agressão saudita. "Estamos nos defendendo contra a agressão", afirmou.
Ontem, o ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, confirmou o incidente com o caça e informou que nenhum militar italiano ficou ferido.
De acordo com Crosetto, a aeronave estava estacionada em uma área não central da instalação quando a base foi alvo de vários ataques.
O ministro afirmou ainda que não houve outros danos a veículos ou infraestruturas utilizados pelo contingente italiano.
A base de Ta'if abriga militares italianos que participam da Operação Resolução Inerente, coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos para combater o Estado Islâmico no Iraque e na Síria.
Enquanto isso, moradores relataram à France-Presse (AFP) a presença de fumaça e chamas nas proximidades do aeroporto de Riad. Um repórter da agência afirmou ter visto bombeiros combatendo um incêndio em um tanque de combustível da Aramco, a companhia petrolífera estatal saudita.
O site Flightradar24 informou que o aeroporto enfrentava "problemas graves", com cancelamentos e atrasos de voos. A agência iraniana ISNA também relatou diversas explosões nas proximidades do Aeroporto Internacional Rei Khalid.
O Jerusalem Post, citando uma testemunha, informou que uma grande coluna de fumaça podia ser vista perto do aeroporto.
No sul do Iêmen, confrontos entre forças do governo apoiadas pela Arábia Saudita e combatentes houthis deixaram 48 mortos nas últimas 24 horas, segundo fontes militares de ambos os lados ouvidas pela AFP.
Representantes das forças governamentais afirmaram que 17 soldados morreram. Os houthis, por sua vez, informaram a morte de 31 de seus combatentes.
Paralelamente, o Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou "nos termos mais veementes" os ataques Houthis contra a Arábia Saudita, incluindo ações contra infraestruturas civis e energéticas.
Em comunicado, segundo a Al Jazeera, o órgão pediu aos houthis que interrompam imediatamente a escalada militar e reiterou sua condenação a ataques e ameaças contra o tráfego marítimo no Mar Vermelho e no estreito de Bab el-Mandeb.
O Conselho da ONU também expressou solidariedade à Arábia Saudita e reafirmou o direito do país à autodefesa conforme o direito internacional, ao mesmo tempo em que reiterou seu compromisso com a unidade, soberania, independência e integridade territorial do Iêmen.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, defendeu que a segurança do Oriente Médio seja discutida pelos próprios países da região.
"No Oriente Médio, a segurança sustentável não pode ser imposta de fora da região", afirmou o chanceler, segundo a Al Jazeera.
Para Araghchi, os países regionais devem discutir sua segurança e seu futuro comum "sem interferência estrangeira".
"A segurança sustentável é alcançada por meio do diálogo e da construção de confiança entre os países da região, não por meio de uma presença militar estrangeira", concluiu.