"O cessar-fogo entre Israel e o Líbano será prorrogado por três semanas", escreveu o presidente americano em sua plataforma Truth Social, após mais uma rodada de negociações entre representantes dos dois países em Washington, na quinta-feira (23). Donald Trump afirmou que os Estados Unidos "trabalharão com o Líbano para ajudá-lo a se proteger contra o Hezbollah".
Mas o alcance da trégua ainda é incerto, já que a organização xiita, que arrastou o Líbano para a guerra em 2 de março em apoio ao Irã, seu aliado, rejeitou as negociações e mantém suas operações no sul do país.
Mesmo durante o cessar-fogo anterior, confrontos continuaram sendo registrados. Um ataque israelense matou a jornalista libanesa Amal Khalil, conhecida por cobrir o sul do Líbano.
Mas a trégua, em vigor desde 17 de abril e inicialmente prevista para terminar no domingo, trouxe algum alívio à população libanesa. O conflito já provocou mais de 2.400 mortes e deslocou mais de um milhão de pessoas no país desde o início de março.
Trump disse esperar que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, se encontrem "nas próximas semanas".
O líder libanês, que até agora descartou a possibilidade de um encontro, é esperado nesta sexta-feira (24) na cúpula europeia em Ayia Napa, no Chipre, ao lado dos presidentes do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, e da Síria, Ahmed al-Sharaa, e do príncipe herdeiro da Jordânia, Hussein bin Abdullah.
Os 27 Estados-membros da União Europeia indicaram que pretendem discutir "a situação no Líbano e as negociações entre Israel e o Líbano" e manter um "diálogo intenso" com os países da região.
Zona tampão
A zona tampão em implantação por Israel representa cerca de 6% do território libanês. Dentro dessa faixa de terra, o país continua suas operações, apesar do cessar-fogo.
Em Washington, Beirute pediu explicitamente a Tel Aviv que interrompa as demolições em massa de casas na zona tampão. "Eles estão construindo fortificações permanentes em cerca de quinze pontos ao longo da fronteira", afirmou um porta-voz do Hezbollah na região sul.
Segundo o portal France Info, moradores da região afirmam presenciar e ouvir bombardeios israelenses diariamente e relatam que o Exército se instalou em pontos elevados da área.
A cidade de Tiro, reduto do Hezbollah, passou a ficar ao alcance da artilharia israelense. Israel afirma que a operação tem como objetivo conter a ameaça representada pela milícia xiita. Moradores locais, no entanto, temem que a criação da chamada zona tampão sirva de pretexto para a anexação de parte do território libanês. A entrada de civis libaneses na área está estritamente proibida.
RFI e AFP