Guerra no Irã completa 1 mês e segue sem trégua no horizonte

Ofensiva lançada por EUA e Israel teve início em 28 de fevereiro

28 mar 2026 - 14h16
(atualizado às 15h32)

A guerra no Irã completa um mês neste sábado (28), ainda sem perspectiva concreta de cessar-fogo em um conflito que provocou repercussões em toda a região e nos mercados globais de petróleo e gás.

Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram uma ampla ofensiva aérea contra alvos da República Islâmica, que reagiu bombardeando o país judeu e nações do Oriente Médio que abrigam bases militares americanas, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait.

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Desde então, boa parte da liderança do regime iraniano foi eliminada, incluindo o guia supremo Ali Khamenei, substituído por seu filho, Mojtaba Khamenei, que segue sem aparecer em público, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, além de comandantes militares.

O balanço da guerra ainda é incerto, mas o número de mortos no Irã é de cerca de 2 mil, incluindo cerca de 160 crianças assassinadas em um ataque atribuído aos EUA contra uma escola feminina na cidade de Minab, perto da costa do Estreito de Ormuz.

Oficina de carros atingida por bombardeio em Teerã, capital do Irã, neste sábado (28)

O Pentágono disse há alguma semanas que o caso estava sendo investigado, porém imagens do bombardeio mostram que o colégio, situado ao lado de instalações da Guarda Revolucionária, foi atingido por um projétil semelhante a um míssil Tomahawk, armamento que integra o arsenal americano.

Segundo a agência de notícias oficial iraniana Irna, pelo menos 252 estudantes e professores morreram no conflito. Em Israel, o balanço é de aproximadamente 20 mortos, enquanto outros 25 óbitos foram registrados em países do Golfo.

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Nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a relatar "conversas muito positivas" com o Irã para encerrar a guerra, informação não confirmada pela República Islâmica, que ironizou o magnata, afirmando que ele estava negociando "consigo mesmo".

Paralelamente, o Paquistão disse que está mediando tratativas indiretas entre Washington e Teerã, enquanto Trump prorrogou pela segunda vez, agora até 6 de abril, o ultimato de 48 horas que havia dado para o Irã liberar totalmente a passagem de navios no Estreito de Ormuz, rota crucial para o escoamento da produção de petróleo e gás no Golfo Pérsico.

O regime iraniano tem autorizado apenas a navegação de embarcações ligadas a países não hostis, represália que provocou uma disparada dos preços de commodities energéticas nos mercados internacionais ? o petróleo passou de US$ 110 por barril e atingiu o maior valor desde 2022.

Destruição provocada por ataques israelenses em Beirute, capital do Líbano

Trump teria exigido do Irã o desmantelamento de seu programa nuclear, limitações no programa de mísseis e a reabertura de Ormuz, entre outros pontos, enquanto Teerã quer o fim das sanções contra o país, o fechamento das bases militares americanas no Oriente Médio e até indenizações pela guerra.

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"O principal obstáculo para o fim do conflito reside no comportamento contraditório e nos pedidos irracionais da parte americana", disse neste sábado (28) o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, acrescentando que há um "ceticismo" na nação persa sobre as reais intenções de Washington, que deslocou milhares de fuzileiros navais para a região, prenunciando uma possível invasão por terra.

Enquanto isso, as trocas de hostilidades prosseguem cotidianamente: as Forças de Defesa de Israel (IDF) lançaram uma série de ataques neste sábado contra Teerã, que reagiu disparando um míssil balístico no deserto de Negev.

O Irã também atacou uma base aérea americana na Arábia Saudita e deixou 12 militares dos EUA feridos, dois deles de forma grave. O conflito ainda se alastrou pelo Líbano, onde cerca de 1,2 mil pessoas morreram na ofensiva israelense contra o Hezbollah, que entrou na guerra para vingar a morte de Ali Khamenei, aliado histórico do grupo xiita.

Também neste sábado, os houthis, grupo financiado pelo Irã e que controla parte do Iêmen, reivindicaram o primeiro ataque contra Israel desde o início do conflito no Oriente Médio. A milícia diz ter lançado mísseis contra alvos militares israelenses, mas os projéteis foram interceptados.

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