'Guerra é a mais terrível das obras humanas', diz Papa na Unesco

Pontífice também alertou que IA pode dificultar diálogo

25 set 2026 - 12h38
Resumo
Em visita histórica à Unesco, o papa Leão XIV afirmou que a guerra é "a mais terrível das obras humanas" e alertou contra os perigos da inteligência artificial na disseminação de desinformação e no isolamento social. O pontífice defendeu que a paz autêntica exige justiça, cobrou proteção para as crianças na era digital e assinou com a entidade um acordo de cooperação sobre o uso dessa tecnologia. A passagem por Paris reuniu milhares de fiéis e integra sua viagem apostólica pela França.

O papa Leão XIV afirmou nesta sexta-feira (25), na sede da Unesco, em Paris, que a guerra é "a mais terrível das obras humanas" e alertou que a inteligência artificial pode multiplicar informações falsas e dificultar o diálogo.

    A visita é a primeira de um pontífice à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura desde 1980, com João Paulo II.

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    "Precisamos reconhecer neste momento que a mais terrível das obras humanas é a guerra, pois nela a própria ciência é colocada a serviço de uma vontade desumana de destruir e matar", declarou o Papa, recebendo aplausos no auditório da organização.

    "A paz não pode ser construída apenas com tratados nem por meio de compromissos entre forças opostas. A paz é verdadeira quando brota da virtude e da justiça mais do que de um mero contrato, de uma vontade direta mais do que de um equilíbrio instável de interesses", acrescentou.

    Segundo Leão XIV, a humanidade dispõe hoje de "instrumentos capazes de conectar instantaneamente pessoas e continentes", porém "continuamos assistindo a novas formas de isolamento, de miséria material e espiritual e de abandono".

    "A informação é abundante, mas não coincide com a sabedoria.

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    Sem uma deontologia compartilhada, os mais variados canais de comunicação correm o risco de multiplicar informações falsas ou de usar palavras sem significado, atrapalhando o diálogo em vez de favorecê-lo", disse.

    Para o Papa, a inteligência artificial acentua esse problema.

    "Embora esses sistemas sejam capazes de correlacionar dados, não podem responder às perguntas sobre o sentido da existência humana, que tem raízes na experiência vivida", salientou. Ele ainda exortou a comunidade internacional a dedicar "atenção particular à tutela das crianças e dos jovens", porque "sua vulnerabilidade não deve jamais se tornar ocasião de exploração na era digital".

    Antes do discurso, Leão XIV foi recebido pelo diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, que definiu a presença do pontífice como um "forte testemunho dos valores que unem a organização à Santa Sé". Os dois regaram simbolicamente uma oliveira da paz plantada no jardim da sede da organização, doada por Israel e instalada na chamada "Praça da Tolerância", concebida pelo artista israelense Dani Karavan em 1996.

    Ao fim da visita, Unesco e Santa Sé assinaram um acordo-quadro para reforçar a cooperação na área de inteligência artificial. Em seguida, o pontífice percorreu o centro de Paris com o papamóvel, atravessando a margem esquerda do Sena e o Quartier Latin, e foi saudado por cerca de 250 mil pessoas ao longo das ruas, segundo estimativas das autoridades locais.

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    O destino era a igreja de Notre-Dame-des-Champs, perto do Jardim de Luxemburgo, de onde seguiu até a Catedral de Notre-Dame, restaurada e reaberta ao público após o incêndio de abril de 2019.

    A visita à França ? a primeira de um papa ao país em 18 anos ? prossegue neste fim de semana, com uma parada em Lourdes, onde Leão XIV se encontrará com vítimas de abuso sexual na Igreja, e depois em Metz, na segunda-feira (28). .

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