Sindicatos franceses e os Coletes Amarelos convocaram novos atos e uma greve geral para novembro contra o custo de vida, após marchas com 410 mil pessoas e mais de 1.300 prisões no sábado. Pressionado fiscalmente e sem maioria parlamentar a meses do fim do mandato, Emmanuel Macron enfrenta forte insatisfação popular, que já transborda para Bélgica e Itália, enquanto a polícia alerta que não tem efetivo para sustentar o nível atual de segurança caso os protestos continuem a crescer.
Grupos de protesto e sindicatos da França convocaram neste domingo novas manifestações, enquanto buscam manter a pressão sobre o governo após uma ampla operação de segurança ajudar a conter os distúrbios durante protestos realizados em todo o país no sábado.
O Ministério do Interior informou que 410 mil pessoas participaram das marchas de sábado. As autoridades mobilizaram 70 mil policiais, o que ajudou a evitar a repetição dos saques e atos de vandalismo que atingiram diversas cidades em 17 de outubro.
Líderes sindicais convocaram novos protestos para o próximo sábado e uma greve nacional em 5 de novembro, afirmando que a insatisfação com salários, custo de vida e serviços públicos está se espalhando muito além do movimento estudantil que iniciou as mobilizações no mês passado.
"Estamos vendo uma agregação de revoltas", disse Murielle Guilbert, copresidente da central sindical de esquerda Solidaires, à emissora BFM TV. Segundo ela, reivindicações de estudantes, trabalhadores, bombeiros e outros grupos estão convergindo.
"Conclamamos as pessoas a ocuparem as ruas no próximo sábado."
O sindicato de professores SUD Education afirmou que participará da manifestação de 31 de outubro, enquanto a grande central sindical CGT informou que tomará uma decisão ao longo da semana.
POUCO ESPAÇO PARA MACRON RESPONDER
Os Coletes Amarelos, movimento de base que surgiu em 2018 em oposição aos impostos sobre combustíveis, também convocaram mobilizações em massa para o próximo sábado, incluindo atos diante de prefeituras e da Assembleia Nacional.
"Há indignação neste país. Ela está crescendo nas escolas e universidades, nas rotatórias, nos bairros, nas fazendas e nos locais de trabalho", afirmou a ativista Azelma Sigaux a jornalistas.
Em 2019, o presidente Emmanuel Macron conseguiu encontrar recursos para reduzir os custos dos combustíveis em resposta às reivindicações dos Coletes Amarelos.
Sete anos depois, as contas públicas pressionadas deixam pouco espaço para que ele atenda às demandas dos manifestantes. Além disso, seu mandato termina em abril do próximo ano, e seu partido de centro não possui mais a maioria necessária para aprovar legislação de grande alcance.
O governo iniciou negociações com sindicatos e representantes estudantis na tentativa de conter a crise, mas líderes dos protestos afirmam que as medidas propostas até agora são insuficientes.
"Não recebemos nenhuma resposta deste governo", disse Guilbert.
Sindicatos policiais afirmaram neste domingo que não dispõem de efetivo suficiente para sustentar por muito tempo o elevado nível de mobilização que, no sábado, ajudou a limitar os distúrbios a confrontos esporádicos em várias cidades, incluindo Paris e Marselha.
Segundo o Ministério do Interior, 1.314 pessoas foram presas no sábado, metade do número registrado na semana anterior. Cerca de 50 policiais ficaram feridos, ante mais de 1.000 na semana passada.
REPERCUSSÃO ALÉM DA FRANÇA
Os protestos tiveram repercussão para além das fronteiras francesas.
No sábado, a polícia belga utilizou gás lacrimogêneo e spray de pimenta durante confrontos com manifestantes antigoverno em Bruxelas.
Na Albânia, protestos pacíficos iniciados no fim de maio se transformaram neste mês em confrontos violentos e ações também foram registradas em várias cidades italianas pela segunda semana consecutiva.