Governador da Califórnia concederá clemência a todos os 548 condenados à morte no Estado

5 nov 2026 - 17h51
Resumo
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, anunciou que comutará as sentenças de todos os 548 condenados à morte no estado, o maior corredor da morte do Hemisfério Ocidental. Perto de concluir seu mandato, o democrata declarou que a pena capital é incompatível com os valores locais; o estado não executa ninguém desde 2006. A medida surge em meio à intensificação do debate nacional sobre o tema nos EUA, impulsionado por falhas em execuções recentes e pelo escrutínio público da prática em 27 estados.

O governador da ‌Califórnia, Gavin Newsom, afirmou nesta quinta-feira que comutará as sentenças de morte de todos os 548 presos atualmente condenados à execução em seu Estado, o maior corredor da morte do Hemisfério Ocidental.

O anúncio, feito em uma carta de três páginas endereçada a "todos os californianos", ⁠ocorre quando Newsom — um democrata que deve concorrer à indicação presidencial ‌de seu partido em 2028 — se aproxima do fim de seu segundo e último mandato de quatro anos como governador.

Publicidade

Newsom, que ‌anteriormente atuou como prefeito de São Francisco ‌e vice-governador, declarou uma moratória sobre as execuções em ⁠março de 2019, cerca de dois meses após assumir o cargo de governador. A Califórnia executou um preso pela última vez em 2006, quando o republicano Arnold Schwarzenegger era governador.

"Após quase 30 anos no serviço público, passei a compreender os limites do que o ‌governo pode realizar com justiça", escreveu Newsom em seu comunicado. "Tomo essa medida ‌porque acredito firmemente que ⁠a morte ⁠sancionada pelo Estado é incompatível com os valores da Califórnia."

 O debate nos EUA ⁠sobre a pena de morte ‌se intensificou recentemente após a ‌execução fracassada, realizada pelo Estado do Tennessee em 30 de setembro, da assassina condenada Christa Pike, que sobreviveu a duas tentativas de injeção de medicamentos letais.

Pike foi hospitalizada em seguida ⁠e devolvida à prisão em 10 de outubro.

Publicidade

A pena de morte passou a ser alvo de maior escrutínio depois que o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou planos para transmitir ao vivo a execução por fuzilamento ‌de Nidal Hasan, condenado por matar 13 pessoas e ferir mais de 30 outras em um tiroteio na base militar de Fort ⁠Hood, no Texas, em 5 de novembro de 2009.

O presidente Donald Trump descartou posteriormente a transmissão ao vivo da execução, mas Hasan ainda está programado para ser executado por um pelotão de fuzilamento em 3 de dezembro.

Cerca de 15 países ainda aplicam ativamente a pena de morte, de acordo com a organização de direitos humanos Anistia Internacional. A pena de morte continua em vigor em 27 Estados dos EUA, embora as execuções se concentrem em apenas alguns desses Estados, e mais de 20 Estados tenham abolido completamente a pena capital.

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações