O G7 exigiu que os rebeldes houthis cessem os ataques a embarcações, alertando para graves riscos à segurança marítima e ao comércio global, além de cobrar do Irã o fim do apoio bélico ao grupo. Paralelamente ao apelo diplomático, o conflito no Iêmen se intensificou: combates entre forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita e os rebeldes deixaram 154 mortos em dois dias, com os houthis avançando sobre posições estratégicas para isolar a costa do Mar Vermelho.
Os ministros das Relações Exteriores do G7 exigiram nesta terça-feira (22) que os rebeldes houthis, do Iêmen, cessem imediatamente as ações militares, ameaças e ataques contra embarcações, e alertaram para os riscos de uma escalada do conflito à segurança marítima e ao comércio internacional.
Em declaração divulgada à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, os chanceleres afirmaram que as ações do grupo apoiado pelo Irã representam uma ameaça à estabilidade regional e podem provocar impactos econômicos em escala global.
"Suas ações repreensíveis constituem uma perigosa espiral de escalada que ameaça agravar ainda mais o conflito, prejudicar o comércio internacional e criar instabilidade econômica em escala global", afirmaram os ministros.
O grupo também reiterou a "necessidade absoluta de garantir a segurança marítima permanente".
Além disso, o G7 pediu ao Irã que interrompa o fornecimento de armas e o apoio aos houthis e disse que continuará apoiando o governo reconhecido do Iêmen.
No comunicado, os ministros ainda reafirmaram seu compromisso com a "unidade, soberania, independência e integridade territorial" do país.
Segundo o grupo, um dos objetivos é evitar impactos prolongados sobre as cadeias globais de abastecimento, especialmente nos setores de energia, fertilizantes e alimentos.
Ataques
Paralelamente às declarações, os combates entre forças governamentais iemenitas apoiadas pela Arábia Saudita e os houthis deixaram 154 mortos nos dois dias anteriores, segundo fontes militares de ambos os lados ouvidas pela AFP.
De acordo com os relatos, 118 pessoas morreram em ataques aéreos, confrontos terrestres e disparos de artilharia saudita nas províncias de Taiz, Al-Jawf, Marib e Saada. Fontes do governo relataram, por sua vez, a morte de 36 soldados.
Hoje, veículos de imprensa pan-árabes relataram que combatentes houthis intensificaram uma ofensiva para assumir posições estratégicas em áreas montanhosas entre as províncias de Taiz e Lahij.
O objetivo seria ampliar o controle sobre áreas elevadas e tentar isolar a costa do Mar Vermelho das últimas regiões ainda controladas por forças apoiadas pela Arábia Saudita.
Os combates estariam concentrados em uma região montanhosa remota de Taiz e também nas proximidades de Ras al-Ara, entre o estreito de Bab al-Mandeb e Aden, cidade considerada um dos principais redutos do governo oficial iemenita.
Nos últimos dias, a Arábia Saudita teria realizado centenas de ataques contra posições houthis nas áreas montanhosas, segundo informações atribuídas ao governo de Sanaa, administração que não é reconhecida pelo Ocidente.
Observadores regionais avaliam que a disputa pelo controle das áreas elevadas entre Taiz e Aden pode ter importância para os próximos movimentos militares, à medida que os houthis buscam consolidar posições territoriais e as forças apoiadas pela Arábia Saudita procuram preservar áreas estratégicas para uma eventual contraofensiva.