"Defendemos o direito internacional e a liberdade dos povos", declarou o presidente francês, conforme relato da porta-voz à imprensa. Segundo ela, Macron disse que Nicolás Maduro é "um ditador" e que sua saída é "uma boa notícia para os venezuelanos". "Ele confiscou a liberdade de seu povo e roubou as eleições de 2024", afirmou.
"Em terceiro lugar, a França apoia a soberania popular, e essa soberania se expressou em 2024", disse Maud Bregeon, em referência à eleição presidencial que foi vencida, segundo a França e parte da comunidade internacional, pelo opositor Edmundo González Urrutia. Na época, a vitória foi reivindicada por Nicolás Maduro.
"Se houver transição, então o vencedor de 2024 deve desempenhar um papel central", afirmou a porta-voz, citando Macron. O presidente francês foi criticado pela esquerda após sua primeira reação à captura de Maduro, que não mencionava o método empregado por Washington. O presidente francês não comentou a operação americana.
"O povo venezuelano está hoje livre da ditadura de Nicolás Maduro e só pode se alegrar com isso", escreveu o chefe de Estado no X no sábado. "Ao confiscar o poder e esmagar as liberdades fundamentais, Nicolás Maduro causou um grave dano à dignidade de seu próprio povo", acrescentou.
Le peuple vénézuélien est aujourd'hui débarrassé de la dictature de Nicolás Maduro et ne peut que s'en réjouir.
En confisquant le pouvoir et en piétinant les libertés fondamentales, Nicolás Maduro a porté une atteinte grave à la dignité de son propre peuple.
La transition…
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) January 3, 2026
'Vergonha suprema'
No mesmo dia, Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insubmissa, disse que "a posição de Macron não é a voz da França. Ele nos envergonha. Ele abandona o direito internacional". "Dia sombrio para nosso país", escreveu Mélenchon no X, apoiado por seu aliado Manuel Bompard, que lamentou ver "a França reduzida a felicitar os golpes de força de Trump".
Para o primeiro-secretário do Partido Socialista, Olivier Faure, "a França não é um Estado vassalo dos EUA, e nosso presidente não pode se comportar como um simples porta-voz da Casa Branca". "Macron pisa hoje em toda a nossa história diplomática. Uma vergonha", reforçou o líder dos senadores socialistas, Patrick Kanner. Uma "vergonha suprema", declarou o líder do Partido Comunista, Fabien Roussel, para quem a França foi "rebaixada ao posto de 51º Estado dos EUA".
Cette déclaration du Président de la République Française n'est pas à la hauteur de la voix que la France porte dans le monde et des valeurs qu'elle doit continuer de défendre.
Le droit international, la souveraineté des États ne sont pas négociables sauf à ouvrir le monde à des… https://t.co/g8m3mQZ5nJ
— Olivier Faure (@faureolivier) January 3, 2026
Antes da reação de Macron, o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, considerou que a operação americana "contraria" o direito internacional. As mensagens do presidente e do ministro devem ser analisadas em "continuidade", garantiu Maud Bregeon, acrescentando que as declarações do chefe da diplomacia foram "validadas" por Macron após discussão.
UE pede contenção
No sábado (3), a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, pediu "contenção" e respeito ao direito internacional depois da ação de Donald Trump na Venezuela.
Kallas indicou na rede social X que falou com o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, e lembrou que a União Europeia (UE) questiona a legitimidade democrática de Nicolás Maduro. Mas "em qualquer circunstância, devem ser respeitados os princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas. Fazemos um apelo à contenção", escreveu.
Com agências