França, Espanha e Grécia combateram grandes incêndios florestais nesta quinta-feira, à medida que as temperaturas em alta, a vegetação seca e os ventos fortes prolongavam um verão marcado por incêndios letais, retiradas em massa de pessoas e perturbações crescentes em toda a Europa.
A França prendeu duas pessoas sob suspeita de incêndio criminoso enquanto equipes controlavam um vasto incêndio perto de Bordeaux; a Espanha combatia um incêndio na província oriental de Castellón; e a Grécia enfrentava incêndios em duas frentes que mataram três bombeiros e forçaram turistas e moradores a fugir de partes de Creta.
"O vento é inacreditável -- às vezes, não dá para ficar em pé. As chamas eram enormes, foi realmente assustador", disse a moradora Chrissa Gioukaki à Reuters em Agia Galini, na costa sul de Creta, onde vários turistas e moradores locais encontraram abrigo para passar a noite em um ginásio coberto.
EUROPA É CONTINENTE QUE MAIS RAPIDAMENTE ESQUENTA NO MUNDO
As equipes de emergência mal tiveram tempo para respirar entre as ondas de calor e as frentes de incêndio neste verão em uma Europa cada vez mais seca, sendo o continente que mais rapidamente se aquece no mundo.
Os países da União Europeia (UE) estão passando por uma temporada de incêndios florestais acima da média, já superando o ano recorde de 2025.
As temperaturas de quinta-feira mostraram que a Europa foi o continente que mais se distanciou de sua média histórica, de acordo com o Reuters Climate Monitor. A temperatura máxima média prevista é de 25,3 graus Celsius, o que representa 3,6°C acima do que era típico entre 1961 e 1990.
No sudoeste da França, as autoridades informaram que os incêndios próximos a Bordeaux não se espalharam durante a noite, com a área queimada mantendo-se em 42.000 hectares. Duas pessoas foram presas sob suspeita de terem iniciado os incêndios, informou a administração local, sem fornecer mais detalhes.
Os incêndios na França devastaram florestas de pinheiros e forçaram cerca de 220.000 moradores e turistas a evacuar a região, embora cerca de 60.000 tenham sido autorizados a retornar. Milhares de empresas que suspenderam temporariamente suas atividades estavam reabrindo gradualmente, informaram as autoridades.
Previa-se que as condições melhorassem na região de Bordeaux na quinta-feira, com possibilidade de tempestades, maior umidade e temperaturas abaixo dos picos recentes. No entanto, um alerta de calor extremo continuava em vigor em Gironde, departamento do qual Bordeaux é a principal cidade, e as autoridades alertaram que os incêndios ainda não haviam terminado.
A Meteo France alertou em seu último boletim, na tarde de quarta-feira, que o maior risco de incêndios florestais estava agora concentrado no sudeste da França e no arco mediterrâneo.
Os incêndios florestais na França já queimaram mais área do que em qualquer outro ano desde 2006.
VENTOS FORTÍSSIMOS ALIMENTAM AS CHAMAS NA GRÉCIA
Dois bombeiros morreram após ficarem presos em um incêndio na região central de Creta na quarta-feira, enquanto dirigiam entre as frentes de fogo. Outro morreu em um incêndio separado na região do Peloponeso.
Centenas de moradores e turistas foram evacuados da área por mar e por terra nas proximidades da comunidade de Krya Vrysi e das aldeias vizinhas, à medida que ventos fortes deixavam o incêndio fora de controle perto de populares destinos de férias.
"A situação é desesperadora. O mais trágico é que perdemos dois colegas bombeiros", disse Yiannis Tartarakis, prefeito de Agios Vasilios, um município que inclui várias aldeias afetadas em seu distrito. As aeronaves de combate a incêndios não puderam ser mobilizadas devido aos ventos fortes, afirmou ele.
Sabe-se que o calor intenso dos incêndios florestais cria seu próprio microclima, o que pode, ocasionalmente, levar a fenômenos climáticos mais extremos; o vento é um deles.
NOVOS INCÊNDIOS ENQUANTO A ESPANHA ENFRENTA CRISE "EXTREMA"
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, disse que a crise enfrentada pelo país era "extrema", com pelo menos 10 incêndios florestais ativos causando preocupação.
"Estamos em uma situação crítica e altamente complexa", disse Sánchez na noite de quarta-feira, referindo-se à combinação de altas temperaturas, baixa umidade e fortes rajadas de vento que alimentam as chamas.
Falando de Mallorca, ele acrescentou que havia solicitado por carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que um novo centro da UE de combate a incêndios florestais para a região do Mediterrâneo Ocidental fosse instalado nas Ilhas Baleares.
Novos incêndios florestais foram registrados nas províncias de Zamora e León, no noroeste da Espanha, em meio à quarta onda de calor do verão, enquanto o incêndio na província de Castellón, no leste do país, continuava a se alastrar, informaram as autoridades nesta quinta-feira.
Mais de 1.000 pessoas foram evacuadas na área do parque natural Arribes del Duero, em Zamora, enquanto três incêndios distintos no norte de León forçaram mais de 300 pessoas a deixar suas casas.
Em Castellón, o chefe da operação de combate ao incêndio, Antonio Rodrigo, disse aos repórteres na noite de quarta-feira que o perímetro de 82 quilômetros do incêndio havia sido delimitado, mas ainda não estava controlado, depois que as chamas devastaram mais de 9.300 hectares.
A operação realizada durante a madrugada, envolvendo 400 bombeiros, foi "crítica" para determinar se o incêndio seria estabilizado em 48 horas, acrescentou Rodrigo, já que as condições climáticas continuavam ideais antes que o calor previsto para quinta-feira pudesse dificultar os esforços.