Família baiana foi expulsa de voo da Air France em Paris após conflito por downgrade de assento, resultando em prejuízo de quase R$ 100 mil; empresa alegou comportamento inadequado dos passageiros.
Uma família baiana foi retirada de um voo da Air France no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, na França, após receber um “downgrade” em uma das passagens. Ao reclamar da situação, os brasileiros acabaram sendo retirados da aeronave com apoio de policiais armados. Ao Terra, companhia alega que passageiros foram “indisciplinados”.
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O caso aconteceu na quarta-feira, 14 de janeiro. Segundo o brasileiro Ivan Lopes, ele, a esposa e as duas filhas estavam voltando de uma viagem pela Europa. No check-in para retorno ao Brasil, foi oferecido um upgrade da classe econômica premium para a executiva no voo AF 562, por 399 euros por passageiro. A família aceitou, mas, no momento do embarque, foi informada de que a reserva de uma das filhas não seria mantida devido a um problema técnico no assento.
Ao Estadão, Ivan contou que, já na aeronave, descobriu que o defeito era em outra poltrona, a 5L, enquanto o assento da filha, 7L, estava ocupado por um passageiro francês, que seria funcionário da companhia.
A família questionou o erro e afirmou ter recebido um tratamento exaltado do comandante. Em vídeos que circulam nas redes sociais, é possível ver o superior alterado e chegou a pedir o celular de uma das passageiras que estava filmando. Segundo Ivan, ele teria gritado com sua esposa e filha.
“Deixar aqui registrado que as imagens não mostram quando o comandante do voo, se é que aquilo pode ser chamado de comandante, gritou com minha esposa e filha e ainda colocou o dedo no rosto dela. Aí, mesmo sem falar a língua dele, eu tive que intervir de forma serena, mas ele continuou alterado”, disse nos comentários de uma das publicações.
Os brasileiros foram escoltados por policiais armados para fora do avião. “Um verdadeiro absurdo, uma falta de respeito e de qualificação do comandante, que deveria estar ali para amenizar a situação e não inflamar”, lamentou Ivan.
Ele afirmou ainda que a família não recebeu realocação imediata em outro voo e que funcionários da Air France disseram que eles causaram prejuízo à companhia; se quisessem viajar no dia seguinte, teriam que comprar novas passagens. A família acabou adquirindo bilhetes em outra empresa.
Ao todo, o prejuízo foi de 16 mil euros (cerca de R$ 99.982, pela cotação atual). “O que vivenciamos não foi apenas um transtorno de viagem, mas uma situação humilhante, traumática e desproporcional, que expôs uma família — especialmente uma criança, que passou por sofrimento emocional desnecessário”, relatou.
O que diz a Air France
Em nota ao Terra, a Air France confirmou o episódio, mas afirmou que a tripulação decidiu retirar quatro passageiros “indisciplinados” do voo AF 562 para garantir a segurança e o bom andamento da viagem. Segundo a companhia, o comportamento dos brasileiros a bordo provocou atraso e insatisfação entre outros passageiros.
“A equipe da Air France no portão informou a um dos quatro passageiros — originalmente com bilhete em Premium — que, devido à inoperância de um assento na Classe Executiva, o upgrade adquirido no dia da partida não poderia ser honrado. O assento em questão foi atribuído a um cliente que havia adquirido Classe Executiva no momento da reserva”, disse a empresa.
Considerando o desejo da família de viajar junta, a Air France diz ter oferecido assentos na cabine Premium, conforme previsto originalmente. No entanto, os passageiros optaram por manter três assentos em Executiva (upgrade) e um em Premium, upgrade que não pôde ser mantido.
“Uma vez a bordo, os passageiros reagiram de forma extremamente exaltada e adotaram comportamento inadequado em relação à tripulação de cabine. Apesar das explicações e dos reiterados apelos do comandante para que mantivessem a calma, o mau comportamento persistiu.”
Diante da situação, o comandante decidiu desembarcar os quatro passageiros “a fim de garantir o bom andamento do voo e a tranquilidade de todos a bordo”.
“A Air France reforça que a segurança de seus clientes e tripulantes é sua prioridade máxima”, concluiu.