Seca dos rios e calor extremo desafiam a produção de energia nuclear na Europa

A onda de calor persistente que atinge a Europa, com temperaturas que chegam a 40 graus em alguns países, dificulta a produção de energia nuclear no continente. A França, por exemplo, teve que suspender 20% de sua capacidade produtiva devido, principalmente, às temperaturas elevadas. Em uma das usinas, excepcionalmente, o motivo para a interrupção foi a proliferação de águas-vivas, efeito colateral do aquecimento excessivo da água do mar.

13 ago 2026 - 14h07

A França possui 19 parques nucleares que, juntos, reúnem 57 reatores, segundo a EDF, gigante do setor. Pelo menos 13 deles foram afetados pelas consequências da onda de calor, que gerou seca e aquecimento dos rios.

Na quarta-feira (12), oito chegaram a ser completamente paralisados, e cinco precisaram operar abaixo da capacidade nominal, segundo levantamento do portal de notícias France Info. Na maioria dos casos, os reatores foram desligados para preservar a fauna e a flora dos rios.

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Isso acontece porque as usinas nucleares precisam de grandes volumes de água para funcionar, utilizados principalmente no resfriamento dos reatores durante o processo de geração de energia. Após esse processo, a água é devolvida aos cursos d'água em temperatura mais elevada do que a registrada na captação.

As normas ambientais, no entanto, proíbem que as usinas despejem água aquecida em rios cuja temperatura ultrapasse 28°C, a fim de evitar a morte em massa de peixes.

Na usina de Gravelines, no norte da França e a maior da Europa Ocidental, o motivo da suspensão foi diferente. Três reatores foram paralisados devido à presença de águas-vivas, cuja proliferação é favorecida pelo aumento da temperatura do mar.

Invasão de águas-vivas na praia da usina nuclear francesa de Gravelines. Reatores tiveram suas operações suspensas devido à presença desses animais marinhos.
Invasão de águas-vivas na praia da usina nuclear francesa de Gravelines. Reatores tiveram suas operações suspensas devido à presença desses animais marinhos.
Foto: RFI

Abastecimento ainda não é afetado

Todos esses incidentes reduziram a produção nuclear da EDF em cerca de 3% em junho e 6% em julho, mas sem afetar o abastecimento no país, que continua sendo um importante exportador de eletricidade, assegurou a empresa.

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Na França, a energia nuclear representa mais de 65% da matriz elétrica do país. Com o aquecimento global de origem humana, os climatologistas preveem um aumento na frequência e na intensidade dessas ondas de calor.

Para tentar superar essas consequências, a EDF, por exemplo, destinou € 9 bilhões para adaptar sua infraestrutura às mudanças climáticas.

Situação nos vizinhos europeus

A seca excepcional que assola a Europa, em decorrência das temperaturas extremas, tem prejudicado o funcionamento de usinas nucleares em outros países do continente. Na Hungria e na Romênia, os níveis muito baixos do rio Danúbio levaram à paralisação de vários reatores.

Nesta quinta-feira (13), a Romênia interrompeu a operação de sua única central nuclear pela primeira vez desde a seca de 2003. O motivo é a baixa vazão do Danúbio, que caiu para um nível sem precedentes, anunciou o governo. O sistema de resfriamento da instalação depende diretamente do rio.

"Uma usina nuclear gera uma quantidade de energia da qual apenas um terço é aproveitado. Os outros dois terços precisam ser dissipados por meio de sistemas de resfriamento, que normalmente utilizam um grande volume de água de rios ou do mar. Se o fluxo não for suficiente para eliminar esse calor residual, a instalação não tem outra escolha a não ser parar", explica Francisco Castejón, membro do Conselho de Segurança Nuclear espanhol, onde o cenário é semelhante.

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A Espanha, que vem enfrentando ondas de calor com frequência, busca soluções há anos para preservar sua geração nuclear, inclusive em períodos de temperaturas extremas.

"A central de Almaraz, no centro do país, tem autorização do Conselho de Segurança Nuclear para elevar a temperatura da água acima do limite permitido e manter uma pequena quantidade nesse nível. Além disso, foram instaladas torres de resfriamento e sistemas de pulverização de água para reduzir a temperatura", relata o especialista.

O mesmo ocorre na usina de Zorita, onde "foi instalada uma série de torres de resfriamento". Com essas medidas, ele afirma que "é muito raro que uma unidade espanhola precise interromper suas atividades".

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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