Segundo o Ministério da Energia alemão, a Rosneft Deutschland, braço alemão da estatal russa Rosneft, foi comunicada de que Moscou não autorizará mais o trânsito do petróleo cazaque pelo oleoduto que cruza o território russo até a refinaria PCK, responsável por abastecer uma parcela relevante do leste da Alemanha.
Antes da invasão da Ucrânia, Schwedt operava quase exclusivamente com petróleo russo. O embargo imposto pela União Europeia forçou a refinaria a buscar alternativas e, desde então, o Cazaquistão passou a ser o principal fornecedor, usando o mesmo trajeto do oleoduto Druzhba, ainda que o petróleo continue passando pela Rússia.
A nova suspensão ocorre num cenário delicado para a economia alemã. Principal financiadora da Ucrânia na guerra contra Moscou, a Alemanha já enfrenta dificuldades desde a crise energética desencadeada pelo conflito no Leste Europeu e agora lida também com os efeitos da tensão envolvendo o Irã. No começo de abril, os principais institutos econômicos do país alertaram que um novo choque nos preços da energia pode atrasar ainda mais a recuperação econômica, que segue praticamente estagnada.
Governo alemão minimiza impacto
Apesar disso, o governo de Berlim minimizou o impacto da decisão russa. Em nota, afirmou que a interrupção do fornecimento do petróleo cazaque "não compromete a segurança do abastecimento" do país. Não houve, porém, estimativa oficial sobre eventuais perdas ou custos adicionais. A refinaria de Schwedt também recebe petróleo por meio do porto alemão de Rostock, no norte, e pelo terminal polonês de Gdansk, o que ajuda a reduzir a dependência do oleoduto.
O anúncio diz respeito ao trecho norte do oleoduto Druzhba, utilizado para levar petróleo do Cazaquistão à Alemanha. Já o ramal sul, que passa pela Ucrânia e abastece países como Hungria e Eslováquia, ficou fora de operação após um ataque aéreo russo em janeiro. Kiev informou nesta terça-feira (21) que os reparos foram concluídos e que o fluxo poderá ser retomado.
Desde setembro de 2022, as subsidiárias da Rosneft na Alemanha estão sob controle temporário do governo alemão. Na época, Berlim conseguiu que essas empresas ficassem fora das sanções dos Estados Unidos, argumentando que haviam sido desvinculadas da matriz russa após o início da guerra na Ucrânia.
Com agências